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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

560- Mensageiro de notícias

Conexão BLlivro

O médico é um mensageiro profissional de notícias sobre saúde. Ele necessita expô-las com as habilidades da comunicação para cumprir o propósito da atenção e compreensão no interlocutor leigo, o paciente.  A vivência no ecossistema da beira do leito ensina que toda comunicação muda a situação vigente. Qualquer palavra do médico, invariavelmente, reformata a visão do paciente sobre as apreensões da própria saúde. Para melhor ou para pior.

A notícia costuma ser qualificada como boa ou como má. A adjetivação pelo médico e pelo paciente pode ser convergente ou divergente. Não é incomum que o “bom” pelo médico porque para ele é possível aplicar um método com potencial reversor ou controlador conviva com um ” mau” pelo paciente pela necessidade da submissão e por projeções de incertezas.

Há várias categorias de notícias que acontecem cotidianamente na conexão médico-paciente que ganham o mesmo rótulo de má notícia, vale dizer, informação que prevê um forte prejuízo ao futuro da pessoa. Uma delas refere-se à que, convergente entre médico e paciente como má notícia, anuncia a gravidade de uma doença que provoca a afirmação pelo médico ou a imaginação pelo paciente de mau prognóstico evolutivo sobre a qualidade de vida e a sobrevida do paciente, podendo, inclusive, resvalar no enquadramento em terminalidade da vida.

Uma sistematização na comunicação profissional é, particularmente, útil para conduzir revelações nesta circunstância aflitiva. De fato, como porta-voz da Medicina, o médico mensageiro de má notícia, quer queira ou não, materializa uma séria ameaça à visão de futuro que o paciente tinha até então. Se má notícia já é péssimo, quando mal comunicada representa a antítese do que se almeja de humanismo na conexão médico-paciente contemporânea.

Por isso, a interdisciplinaridade necessária no ecossistema da beira do leito e que é estimulada pela Bioética inclui as vantagens de estratégias de comunicação ajustadas para a área da saúde. De modo simples, elas objetivam estender um fio condutor para o uso da linguagem  que contribua para evitar carências e desestimular exageros na emissão/recepção, face às diversidades da condição humana que fazem com que os interlocutores reajam a más notícias, processando previsíveis e imprevisíveis combinações de razão, imaginação e intuição.

Especialistas em comunicação concordam que uma sequência estruturada minimiza efeitos da má notícia e eleva a responsabilidade pela adesão ao tratamento quando sua primeira preocupação for o médico conhecer certos elementos com que o paciente pretende participar no processo de tomada de decisão, como valores, desejos, preferências, objetivos. Desta maneira, haverá um balizamento da interlocução com maior sensibilidade,  respeito, flexibilidade e tolerância… e menos feitos estressantes para o médico.

A qualidade da comunicação de má notícia associa-se à grandeza da sintonia provocada. O desejo bilateral por ajustes de entendimento faz com que o dito possa ser redito e o que faltou possa ser acrescentado. Desta forma, o continuum da informação que é habitual para o médico e incomum para o paciente surpreendido pelo diagnóstico e desdobramentos, resulta melhor composto ao longo de um atendimento, especialmente, os que se associam a aspectos psicossociais negativamente construídos ao longo do tempo pela sociedade em geral.

Em oncologia, por exemplo, fortes emoções surgem em meio à autenticidade da verdade, à caridade da suavização possível e à compaixão de silêncios intervalados pela intenção do médico não ser indiferente, nem à doença nem ao doente, uma unidade complexa de conflitos. Ansiedade, raiva, culpa, receio de mudança nos relacionamentos, afastamento de funções na família e no trabalho, perda da independência e preocupações financeiras combinam-se, provocam hesitações e acentuam óbices à capacidade de compreensão do paciente.

O protocolo SPIKES  https://www.mdanderson.org/documents/education-training/project-echo/10%2027%2016%20ECHO-PACA%20SPIKES.pdf  orienta seis passos sequentes, partindo do pressuposto que  habilidades de comunicação podem ser aprendidas pelo oncologista: 1- Preparação (Setting up the inteview), onde disponibilidade de tempo é fundamental; 2- Percepção (Perception) do já sabido pelo paciente; 3- Disposição do paciente (Invitation by the patient), o que é pretendido pelo paciente; 4- Conhecimento (Knowledge and information to the patient), produzir esclarecimentos; 5- Atenção à emoção (Emotion and Empathy), conectar sentimentos; 6- Estratégia de cooperação (Strategy and Summary), caminharem juntos ante as necessidades.

 

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