3835

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

389- Clínica soberana, tecnologia soberana, paciente soberano (Parte 2)

Doença e doente sempre foram os mestres da Medicina. Foi vislumbrado por Hipócrates quando afastou o caráter divino das questões de saúde. O paciente ensina, o médico aprende e a Medicina se desenvolve. O pai da Medicina confiou na inteligência humana natural, acreditou na solidariedade, na compaixão e na curiosidade, atraiu a confiança da população afirmando o sigilo da intimidade. A revelação ao sacerdote transportada para o médico com mesmo grau de crédito. Ele ensinou tendo a beira do leito como sala de aula e o doente como fonte do saber. Uma mudança de modelo que hoje parece tão lógica teve idas e vindas que precisaram da personalidade forte de Hipócrates.

A história da Medicina registra o que aconteceu depois. A competência dos processos da inteligência natural sustentou o domínio de várias doenças, passo-a-passo por métodos surgidos pela criatividade humana, houve a construção do conceito que diagnóstico de certeza é de natureza predominantemente anatomopatológica, da concepção que há sinais clínicos patognomônicos que representam altíssima fundamentação do raciocínio clínico e da noção que há indicadores de magna confiabilidade em exames laboratoriais, isto num olhar bem sucinto.

Recebemos a herança da obrigatoriedade do exame físico, uma atividade que distinguia o homem do ser divino, para recolher do paciente informações da realidade clínica e que ganharam massa crítica para fundamentar o conceito de A Clínica é soberana, internalizamos a ideia que saúde não significa exatamente ausência de doença, ampliando o contexto da Medicina além da expressão clínica, percebemos que o controle de fatores de risco pode desacelerar seus efeitos presumidos com o passar dos anos, passamos a pensar no valor do check-up para reconhecimentos nosológicos ainda em fase subclínica e atenuação de riscos relacionados a hábitos de vida e incorporamos máquinas e dispositivos para enxergar órgãos além do possibilitado pelo exame físico e, assim, melhor  qualificar diagnósticos, inclusive, com devaneios sobre A Tecnologia é soberana.

Cresceu a responsabilidade sobre a prática da individualização exigente de habilidades de ajustes tecnocientíficos e atitudes com sustentação ética. A hierarquização do respeito à pessoa do paciente reforçou a concepção de O paciente é soberano, com sua expressão clínica e tudo o mais que se consegue alcançar por meio de métodos, processos e instrumentos. A reflexão que não existem doenças, existem doentes, no seu aspecto de força de expressão para o entendimento que  Medicina cuida de um ser humano sensibiliza e valoriza a Bioética!

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts