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382- Alvo, prudência e zelo

A simplicidade é virtude que dá o tom da naturalidade, a Medicina é ciência da saúde, ipso facto, o médico põe em foco a saúde do ser humano, caso contrário ele deixaria de ser agente da Medicina. De maneira estendida, o médico capacita-se a enxergar e influenciar na beira do leito, na academia e na política de saúde, os amplos fatores da vida que têm impacto no conceito de saúde como bem-estar físico, psíquico e social e mais atualmente incluindo a capacidade de adaptação ao meio em que vive.

Prudência e zelo devem ser cuidados com rigor e se edificam com matéria-prima tecnocientífica e humana.  Como antônimos de negligência e de imprudência, pressupõe-se que o máximo de prudência e zelo não possam deixar de lado nenhum dos dois componentes. Descuidos, desleixos, indolências são comportamentos tão superponíveis quanto reprováveis.  Muitas vezes há certo desequilíbrio circunstancial entre tecnociência e humanismo, mas ambos precisam estar presentes numa determinada proporção, cada caso terá a sua medida aceitável. Numa emergência predomina o componente tecnocientífico, enquanto numa terminalidade de vida a atenção humana é a tônica. Prudência, zelo e alvo de toda a atenção do médico  é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional (Princípio fundamental II do Código de Ética Médica vigente) guardam sintonia na medida em que associa a intencionalidade pela consciência de um objetivo, a reflexividade da consciência sobre a Medicina e a pureza que afasta manchas possíveis num desnível de  poder entre o médico instrumentado e  o paciente vulnerável.

O melhor de sua capacidade profissional traz situação de relatividade. A abrangência e a profundidade da Medicina atual fazem com que a expertise de cada médico tenha limites. Especialistas em uma disciplina ao mesmo tempo em que se afastam de outras especialidades e confinam a capacidade profissional, podem ter diferenças de formação e de vivência tornando o melhor uma classificação sujeita à individualidade e fazendo lembrar a necessidade da atuação em time.

Fica claro que o número do CRM simboliza um médico apto a exercer a integralidade da Medicina, mas, mesmo que a lei 3268/57 não especifique,  ele deve ter a consciência do quantum possui de habilidade profissional. A exigência da Residência Médica e da especialização, por iniciativa própria e ordenação de terceiros, encontra acolhida neste Princípio Fundamental. E, de certa forma, indica as vantagens do direcionamento para o trabalho em equipe, inter e intradisciplinar, onde se mesclam coordenações e aplicações de métodos específicos.

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