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316- Bioética e o ambulatório

doctorDurante uma jornada ambulatorial o médico aplica atitudes, administra conflitos e dilemas e lida com aspectos operacionais. Em geral, em casos ditos simples – sob o ponto de vista técnico-científico e humano-, as três atuações misturam-se sem que fique bem delimitado que componente está sendo exercitado. Já na complexidade, há maior percepção destes três elementos intervenientes.

A aplicação de atitude refere-se ao que o médico carrega consigo ao começar o atendimento. É um conjunto que inclui caráter, personalidade, temperamento, ética, saber profissional, grau de empatia, aspectos de conflitos de interesse, comprometimento com o continuum vital de saúde e a melhor relação benefício/segurança e entendimento sobre nível de equilíbrio do direito de autonomia com o paciente. A mixagem é dinâmica e mutável com o tempo de atividade profissional, sensível ao amadurecimento pessoal e profissional e sob influência de um currículo oculto atrelado à vivência dos casos e ao convívio com outros profissionais.

A administração de conflitos e dilemas é necessidade ligada à individualidade dos casos, à noção prática que inexiste doença, existe doente. Um desejo do paciente pode causar um conflito e uma comorbidade pode determinar um dilema. Pode-se dizer que não há caso que não tenha algum grau de dissonância com a intenção estado da arte sobre o que fazer e que como é resolvido por mínimos ajustes que acontecem no “automático” não é conscientizada como conflito ou dilema. A partir de uma graduação onde tem que “parar para pensar”, torna-se essencial uma real administração do conflito ou dilema com caracterização das divergências, dos interesses e das opiniões e análise de prós e de contras sobre caminhos conciliatórios. Há ocasiões em que o próprio médico encontra solução por si próprio ou com a ajuda da equipe assistencial e há ocasiões onde ele recorre a facilidades de ordenação proporcionadas por Comissões, por exemplo, uma Comissão de Bioética.

A lida com aspectos operacionais acontece quando o consentimento do paciente marca uma concordância com a atitude do médico e uma aceitação de não conflito, todavia, surge uma dificuldade de execução conforme pretendido. Não faltam motivos. Há os administrativos como vaga para internação numa UTI, há os ligados à gestão de recursos, há os associados a aspectos éticos como a preservação do sigilo profissional de uma celebridade.

A Bioética da Beira do leito interessa-se para que o médico atuante no ambulatório não somente conscientize-se  da importância, mas também alcance o objetivo de fechar o círculo atitude-resolução de conflito e de dilema- êxito operacional.  Reuniões de revisão no estilo da clássica anatomoclínica são úteis para aclarar contrapontos, estimular ideias, livrar-se de incorreções, conhecer melhor o significado de ser médico para o estar paciente ante infinitos cruzamentos entre situação clínica, condição humana, ética e legislação (Constituição da República e infra-constitucional, sistema de saúde).

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