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191- Zika vírus, Aedes aegypti e saúde sexualmente transmissível

cegonh11Há uma nova ameaça ao ecossistema no ar. Ela enche de incógnitas sobre próxima geração de brasileiros.

A caixa de Pandora reabriu. Qual será a duração e a extensão dos danos sobre encéfalos de recém-natos – e outros órgãos- causadas pelo Zika vírus até se conseguir um controle?

O Aedes (odioso) aegypti (do Egito) tornou-se uma praga entre nós. Mais uma do Egito. Um ser vivo portando microscópicos vírus – transporte coletivo para dengue, zika e chikungunya. Ele tem a seu favor o calor, inclusive a tendência de aquecimento global. Não mais do que 7 mm voando por aí, mas um gigantesco desafio pairando sobre a Saúde Pública nacional.

Uma nova etapa acontece. Um quarto elemento – o feto- acresce aos três originais envolvidos – vírus, mosquito e pessoa inoculada.pe

Na surpresa, o temor. Como habitualmente, gera ideias e comportamentos de proibição. Logo vieram  recomendações para adiar gestação, mesclando sensatez com um tremendo impacto sobre a liberdade.

Ao mesmo tempo, sobe o nível de ansiedade do casal “já esperando”. A possibilidade do dano oculto dispara o valor clínico da ultrassonografia na gestação.

Acresce que o nome do vírus – escrito com k- soa igual a zica, um termo da gíria brasileira que que traz à mente, invariavelmente, uma noção de mau agouro.

Princípios morais rejeitam vigorosamente uma “gestação-rascunho”, uma vez detectada má-formação no feto, não há permissão ética e legal para o aborto no Brasil. Anomalias fetais foram sempre um risco a ser enfrentado nas gestações, contudo, não costumam influenciar, habitualmente, a decisão do casal de ter um filho, elas são admitidas como acontecimento remoto.

Todavia, há uma manchete impactante de plantão, sem prazo de validade. É muito provável que decisões sobre maternidade estejam sendo adiadas. Uma interferência sobre o planejamento familiar. Seleção de locais a serem frequentados pela gestante, atenção a horários, uso de roupas mais protetoras, confiança em substâncias repelentes, elevação do nível de cobrança de medidas eficazes e de pesquisas eficientes da sociedade às autoridades – eliminação de criadouros,  mosquitos transgênicos, constituição de vacina contra o vírus-, ocupam o campo das prioridades. Um conjunto de  dúvidas inquieta as famílias, uma suposição de tragédia sanitária eclode  de autoridades. Há muita expectativa unindo diferentes segmentos da sociedade.

Felizmente, estamos “vacinados” contra o clima que se instalou no Rio de Janeiro, no início do século XX, que passou à História como a Revolta da Vacina, quando a  população dificultava as ações da Brigada Mata-mosquito que ia aos domicílios exterminar os focos de reprodução do – olha ele novamente- Aedes aegypti que transmitia a Febre amarela, e quando houve necessidade de efetuar um pagamento para cada rato capturado – suas pulgas transmissoras-, para o controle da Peste bubônica. A população atual mostra nível relevante de solidariedade.

Complexidades e interdependências em meio a ausência de guias seguros requerem a expansão da interdisciplinaridade, melhor, da transdisciplinaridade, pois ultrapassa o campo das ciências e envolve a experiência espiritual em resoluções. Como dar objetividade à influência de um terceiro elemento, danoso, sobre a necessária perpetuação da espécie entre um homem e uma mulher?

Por enquanto, deu-se o primeiro passo. A mobilização deve crescer entre os cientistas, que necessitam de recursos humanos, técnicos e financeiros, inclusive a colaboração de Centros estrangeiros. Em prol do benefício e da segurança do “crescei e multiplicai” do Velho Testamento.

Creio que a microcefalia Zika-dependente é a primeira descrição de uma doença preocupante realizada no Brasil após a revelação da doença de Chagas na década de 30 do século passado. Coincidentemente, esta revelou um mosquito como vetor- o Triatoma, popular barbeiro, porque os barbeiros de antigamente praticavam a sangria. A identificação da microcefalia e associação com a virose é mérito para médicos compatriotas que revelaram que o “olho clínico” brasileiro não sofre de catarata causada pelo abuso no uso de Diretrizes clínicas. é de se destacar que há cerca de 40 anos, pesquisadores ingleses verificaram efeitos danosos do Zika vírus sobre o encéfalo de ratos http://link.springer.com/article/10.1007/BF01249709#page-1.  Após três semanas do noticiado no Nordeste, o Ministério   da Saúde declarou a confirmação da hipótese com base em conclusão do Instituto Evandro Chagas (1905-1940, acidente aéreo) – filho de Carlos Chagas (1879-1934).

O Aedes aegypti tornou-se um fator anticoncepcional de momento. Produziu uma sensação de pátria contra um mosquito. Uma realidade aqui e agora para a qual cada brasileiro tem a obrigação moral de contribuir para o controle da proliferação do mosquito no seu alcance. Um chamado à educação cívica. Um movimento de fortalecimento da cidadania.

Algo análogo à Pátria versus uma doença aconteceu na França no final do século XIX. Houve um movimento para que os rapazes casassem ao redor dos 21 anos de idade para evitar a promiscuidade sexual. O objetivo era reduzir os casos de sífilis. Havia a falsa consideração que a doença tinha efeito nos genes e consequente transmissão genética ao feto- e não ação congênita-, o que acarretaria progressivo enfraquecimento orgânico do povo francês. Após cerca de meio século, a penicilina surgiu e aliviou a preocupação.

O imigrante Zika vírus “deseja” se perpetuar no Brasil pegando carona no Aedes aegypti de vítima para vítima. O Treponema pallidum- imigrante das Américas- também “desejava”, mas de modo direto, sem intermediário, por meio de estratégicas lesões genitais.  Mas quando a perpetuação de um micróbio passa a prejudicar a do Homo sapiens, um alerta máximo deve ser soar.  No campo da Infectologia, todos os esforços devem concentrados para, à semelhança do já conseguido para a prevenção de doença sexualmente transmissível como a sífilis, a efetiva contenção de riscos à saúde sexualmente transmissível.

Em momento tão conturbado politica e economicamente em que vivemos, fica difícil estabelecer consenso sobre visão hierarquizada de inimigos de nossa Pátria amada cheia de encantos mil. O Aedes aegypti merece colocação nos top 5. E um olhar de esperança de superação das adversidades.

 

 

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