Ascensões sem quedas – poucas já é bom – têm na Bioética o corrimão que resguarda com rigor e experiência, degrau a degrau, os movimentos do senso prático que são sensíveis a direcionamentos alinhados à visão teórica. Entender se a Bioética é válida ou não na beira do leito não é uma questão nem de romanizar positivamente a beira do leito como local indiscutível de compaixão, solidariedade, empatia, entrega, etc… que bastam por si, nem de retratar a beira do leito como um terreno que contém areia movediça, os extremos até cabem no mundo real, mas não devem ser motivo da conclusão sobre a validade.
O importante é a compreensão que acontece, invariavelmente na beira do leito ritmos calmos e ritmos frenéticos, em meio a uma coleção de tipos de conexão médico – paciente que tendem a mais tranquilos e a mais turbulentos, até mesmo momentos assim distintos em mesmo atendimento. Contar com uma caixa de ferramentas sortidas para o que der e ver vale muito.
A Bioética da Beira do leito ao cooperar para equacionamentos do cotidiano faculta aparar arestas e pactuar prós e contras, num modo que se faz independente de qualquer a priori certificação radical sobre conduta certa ou errada. Ademais um feedback positivo na conexão médico – paciente pode ser mais bem conseguido quando as partes têm a oportunidade de enxergar além do até então, de perceber criticamente os valores envolvidos nos atendimentos, de identificar com abrangência e profundidade o custo-risco-benefício dos elementos constituintes das tomadas de decisão.
Tema recorrente é que tanto a busca quanto a obtenção da excelência da medicina atual impactada pela interação entre os significados dos princípios da beneficência, não maleficência e autonomia é facilitada pelo trabalho em equipe que melhor lida com a diversidade dos métodos disponíveis e indicados. É a conjunção da prudência e do zelo profissional.
O caráter transdisciplinar ao desdobrar complexidades (plexus = dobra) agrega prudência profissional ao sempre imprevisível par principialista formado pela beneficência atrelada de modo mais restrito à tecnociência validada e pela autonomia mais irrestrita em função das diversidades da condição humana.
O paciente é o “integrante da equipe” que não está obrigado a justificar aos demais, à ética, à moral ou ao legal, a razão de seus passos colaborativos e/ou decisórios no curso do atendimento. Seus Sim ou Não podem ser áridos, nada mais além de nova verbalização confirmadora ou do silêncio. Evidentemente, ele assume responsabilidade pela manifestação “contramão” e é quem sofre na pele decorrências dolorosas e sofridas de sua escolha. A questão de como fica a responsabilidade profissional perante o Não consinto, doutor definitivo, contudo, não é exatamente enquadrada numa simples substituição. A alta a pedido é ilustrativa da figura que vazio não significa ausência.
