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1818 – Um modo Bioética de enxergar a tecnociência aplicada ao paciente (Parte 20)

A Bioética da Beira do leito considera que o paciente é parte do espírito de transdisciplinaridade que beneficia a prática da medicina na beira do leito pois ele ensina e aprende com os demais. A equipe passa a compor uma biografia abrangente – nomeada como prontuário do paciente –  e que é influenciada por cada individualidade do coletivo. Transdisciplinaridade na beira do leito subentende voz ativa. Ela está tradicionalmente articulada ao profissional e só mais recentemente é direito do paciente além da manifestação das queixas.

É pedagógico na beira do leito considerar que é prejudicial para a carreira o médico se esquivar de desafios. Eles contribuem como indicadores do aperfeiçoamento profissional, permitem assinalar a qualidade do manejo da tecnociência que se faz acompanhar de beneficência.

Desperdiçar o inédito de desafios é esquecer que a beira do leito tem dialetos e vir a conhecê-los é oportunidade para o aperfeiçoamento profissional nas voltas e reviravoltas, nas (i)lógicas desconcertantes, na travessia de fronteiras cinzentas observadas nas conexões médico – paciente. A Bioética da Beira do leito enfatiza a inconveniência da preguiça mental incompatível com a missão ética e que compromete posições em que o médico precisa estar e assumir.    

Médicos cada vez mais desconfiam de alguma lacuna quando o caso “é simples”, pois em muitos ambientes hospitalares, os  casos tornam-se, raramente, isentos de dificuldades nas necessidades. Razão para perceber que enfrentar desafios evita a estagnação profissional. Recorde-se que todo o currículo da graduação prepara para o desafio, cada aprendizado de cada disciplina acontece por um duelo entre uma até então ignorância e um processo de absorção esclarecida do conhecimento.

Por isso, vale muito na beira do leito entender que o que é preciso fazer para crescer profissionalmente é fazendo que se cresce. Aristóteles (384 aC – 322 aC) e sua Ética a Nicômaco sempre presente. Dificuldades enfrentadas com responsabilidade orientadora são fermento para desenvolver a autoestima, o narcisismo benigno de que todos necessitam, especialmente no âmbito de interrelações complexas entre os princípios da beneficência e da autonomia. O não consentimento pelo paciente é mais um desafio do que um comportamento aberrante, assim como intercorrências/adversidades são desafios mais do que inevitabilidades da beneficência. 

A valorização moral do respeito à pessoa do paciente mais do que um dever a um detentor do direito à autonomia enrique o exercício do paternalismo, o brando, aquele não coercitivo, empático, que representa atenção pela soma das dificuldades biológicas e emocionais do paciente, ao mesmo tempo em que se esforça para dar compreensão de algo tão complexo como a medicina para um leigo. 

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