Volto a comentar, a experiência profissional vale-se da memória dos casos de fato vivenciados para imaginar como os resultados poderão vir a ser. Uma amostra neste contexto é o desenvolvimento dos diagnósticos baseados na memória das dissecções post-mortem como acontecido nos séculos XIV a XVI e que tem como figura fundamental Andreas Vesalius (1514 – 1564), considerado o Pai da anatomia moderna.
Toda memória bem constituída não deixa de ser um conjunto de verdades – talvez melhor dito um conjunto de posições verdadeiras – mas jamais há a certeza da reprodução ipsis literis nos próximos resultados, tão somente a boa chance de assim acontecer. Memória e experiência admitem reunião de vivências que atuam como esboços críticos assessorados pela inteligência natural.
A Bioética da Beira do leito reforça que o comprometimento profissional com cada caso, elo após elo numa corrente que amarra arte e ciência, pode acontecer sob gradações. Espera-se que ele esteja no nível máximo, almeja-se que as preocupações profissionais estejam além do modo tão somente burocrático, anseia-se pela presença de antônimos de indiferença, desatenção e insegurança. Cada partícipe tem seus critérios para avaliar de 1 a 5.
A contemporaneidade dos atendimentos inclui como forçoso entender que o paciente faz parte da equipe – não é possível estar médico em ausência de paciente que pelo menos participa com sinais e sintomas. O absoluto respeito ao “colega” deve imperar. Aliás que classificação merece o médico que desrespeita a pessoa do paciente, quem é esse médico que comete perjúrio ao juramento da formatura? Por isso, o acerto de considerar que a verdade – como a científica – na beira do leito é do conhecimento e o valor – como o humano – é do desejo.
Entrelaçam-se. O cotidiano tem revelado que entrelaçamentos eficientes acontecem sem que os médicos se conscientizem que há muito mais presente além de medicina e doença. É realidade que reduz o interesse pela Bioética explícita, em outras palavras, a “naturalidade” com que ocorrem captações e aplicações embute “subconscientemente” os fundamentos da Bioética.
Indicação confunde-se com beneficência, contraindicação com não maleficência, formalidade de esclarecimento com autonomia. Uma decorrência é a conjunção posicionar de modo volátil o interesse pela Bioética e considerar que as infrequentes demandas sejam atendidas com improvisos.
