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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1815 – Um modo Bioética de enxergar a tecnociência aplicada ao paciente (Parte 17)

É fato que a disponibilidade pode causar um processo de transferência do sentido da dedicação para o recurso, o abiótico aplicado tornado mais importante do que o biótico aplicador. Alerta para a chegada da inteligência artificial!   

A aplicação de métodos tecnocientíficos regulada pela organização atualizada do conhecimento, assim como requer a atenção a peculiaridades de cada paciente para filtragem das beneficências e maleficências cogitadas, exige também mentalizar aberturas a possibilidades do acaso e do desconhecido, bem como dispor-se à tolerância a divergência de opinião. Continua valer muito na história da medicina o dito por Arthur Schopenhauer (1788 – 1860): Toda verdade passa por três estágios. Primeiro, é ridicularizada. Segundo, é violentamente contestada. Terceiro, é aceita como auto evidente. 

A ética médica brasileira endossa: 1929 – O enfermo deve implícita obediência às prescrições médicas, as quais não lhe é permitido alterar de maneira alguma. Igual regra é aplicada ao regime dietético, ao exercício e qualquer outras indicações higiênicas que o facultativo creia necessário impor-lhe. 2018 – É vedado ao médico desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte. Ainda hoje, o direito à voz ativa pelo paciente é motivo de reprovações aqui e ali.

Tudo em aberto, nada fechado em direção a nada aberto, tudo fechado é um ideal que nem sempre é fácil de ser literalmente atingido. Indicações e não indicações são pensadas no decorrer de atendimentos, seleções acontecem “fechando” decisões. Nas eventualidades do surgimento de contraindicações, elas provocam efeitos no “fechamento” com prioridade pois são classificáveis como proibições à beneficência cogitada.

Cada conduta recomendável com base em diretrizes clínicas precisa se “fechar” em conduta aplicável às realidades de cada caso. Alergias graves, insuficiências de metabolização ou excreção, fragilidade extrema são exemplos de fatores de contraindicação. A Bioética da Beira do leito alerta que, em nome da ética, é preciso bem distinguir que não indicação é um antônimo de indicação e contraindicação persiste uma indicação que não pode ser aprovada após considerada.     

A Bioética da Beira do leito enfatiza que na atual conjuntura da qualificação profissional a Residência médica é ocasião que não pode dispensar o treinamento/aprendizagem sob supervisão a respeito das representatividades dos princípios da Bioética, com destaque para o significado da interação entre beneficência e autonomia, entre tecnociência e humanismo. Supervisão subentende  um guarda-chuva orientador, uma fonte de exemplos. Infelizmente, maus exemplos e exemplos que não se ajustam ao aprendiz acontecem. É útil lembrar-se de Sir Winston Churchill (1874 – 1965): Não basta fazer o nosso melhor, às vezes temos que fazer o que é necessário.

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