Cada passo “confiável” precisa ser revisto após a passada, em função de uma indispensável desconfiança sobre os termos do efeito provocado e como instrumento da responsabilidade profissional. Condutas expectantes (watchful waiting), farmacológicas ou invasivas, embora distintas como método, assemelham-se neste aspecto de cuidado de vigilância e preservação da segurança.
No contexto da conexão médico⇔paciente, um ponto de partida para o planejamento de tomadas de decisão na beira do leito é classicamente o que o médico pode ser, quer ser e deve ser, idealmente objetivando o melhor interesse do paciente, segurança biológica em ausência de arbitrariedades.
É teoria para atuações etica e moralmente corretas que, contudo, costuma ser impactada por realidades da prática decorrentes de a conexão médico⇔paciente representar um ser humano cuidando de outro ser humano (Herrar é umano). As situações de equívoco dão margem a considerar que o melhor interesse do paciente deve, ao mesmo tempo, associar-se a um desinteresse do médico no sentido de conflito de interesses, tão somente conservar o quanto está eticamente interessado no ato em si.
Considerando o valor do “senso histórico”, vale lembrar que Hipócrates (460 aC- 370 aC) estabeleceu o caráter humano da medicina quando afastou os deuses da “prescrição”. Desde então os médicos administram esta herança como filhos universais do Pai da medicina, a bem da verdade com altos e baixos acerca do humanismo. A soma de tudo que acontece no transcurso do atendimento ao caso torna-se bem qualificado quando pode ser percepcionada sob um guarda-chuva de respeito à pessoa.
Um abrigo para componentes conhecidos como fazer o bem, não fazer mal, merecer autoridade, ter liberdade, valorizar a comunicação, comprometer-se com os feitos, efeitos e defeitos associados ao fato de a medicina não ser ciência exata. Por isso, a pertinência da aplicação no ecossistema da beira do leito do aristotélico É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer. Imprescindível para o médico concentrar-se e autoafirmar-se.
É essencial haver um tipo de independência individual no ecossistema da beira do leito que seja consonante com o significado de atuação fértil em equipe. Reflete contexto de transdisciplinaridade, em que tomadas de decisão sejam produtos de tese, antítese (ambas expostas com independência) e síntese (representando o resultante de posições e contraposições por argumentos sustentados pelos distintos campos do saber). As independências de posicionamento se interdependem na medida em que cada um aprende, reaprende e de se desprende do outro. É o usufruto pela beira do leito da inteligência coletiva – inteligências individuais reconhecidas, somadas e compartilhadas – pegando carona em Pierre Lévy (nascido em 1956).
