4237

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1765- Decido, logo existo (Parte 2)

Cada passo “confiável” precisa ser revisto após a passada, em função de uma indispensável desconfiança sobre os termos do efeito provocado e como instrumento da responsabilidade profissional. Condutas expectantes (watchful waiting), farmacológicas ou invasivas, embora distintas como método, assemelham-se  neste aspecto de cuidado de vigilância e preservação da segurança.

No contexto da conexão médico⇔paciente, um ponto de partida para o planejamento de tomadas de decisão na beira do leito é classicamente o que o médico pode ser, quer ser e deve ser, idealmente objetivando o melhor interesse do paciente, segurança biológica em ausência de arbitrariedades.

É teoria para atuações etica e moralmente corretas que, contudo, costuma ser impactada por realidades da prática decorrentes de a conexão médico⇔paciente representar um ser humano cuidando de outro ser humano (Herrar é umano). As situações de equívoco dão margem a considerar que o melhor interesse do paciente deve, ao mesmo tempo, associar-se a um desinteresse do médico no sentido de conflito de interesses, tão somente conservar o quanto está eticamente interessado no ato em si.

Considerando o valor do “senso histórico”, vale lembrar que Hipócrates (460 aC- 370 aC) estabeleceu o caráter humano da medicina quando afastou os deuses  da “prescrição”. Desde então os médicos administram esta herança como filhos universais do Pai da medicina, a bem da verdade com altos e baixos acerca do humanismo. A soma de tudo que acontece no transcurso do atendimento ao caso torna-se bem qualificado quando pode ser percepcionada sob um guarda-chuva de respeito à pessoa.

Um abrigo para componentes conhecidos como fazer o bem, não fazer mal, merecer autoridade, ter liberdade, valorizar a comunicação, comprometer-se com os feitos, efeitos e defeitos associados ao fato de a medicina não ser ciência exata. Por isso, a pertinência da aplicação no ecossistema da beira do leito do aristotélico É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer. Imprescindível para o médico concentrar-se e autoafirmar-se.

É essencial haver um tipo de independência individual no ecossistema da beira do leito que seja consonante com o significado de atuação fértil em equipe. Reflete contexto de transdisciplinaridade, em que tomadas de decisão sejam produtos de tese, antítese (ambas expostas com independência) e síntese (representando o resultante de posições e contraposições por argumentos sustentados pelos distintos campos do saber). As independências de posicionamento se interdependem na medida em que cada um aprende, reaprende e de se desprende do outro. É o usufruto pela beira do leito da inteligência coletiva – inteligências individuais reconhecidas, somadas e compartilhadas – pegando carona em Pierre Lévy (nascido em 1956).

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts