Considerando que a arte sabe melhor que maus hábitos não são eliminados de modo simples, como que atirando-os pela janela, mais imaginária do que real, mas deles se desvencilhando degrau a degrau por uma escada “estilosa” profissionalmente bem desenhada e possuidora de firmes corrimões. Desce o mau hábito, sobe o bom hábito, uma troca de comportamentos salutar que pode ser resumida como mudança de estilo.
No usufruto desta arte, OLS vivenciou o poder de transformação de uma medicina que aprende desde a doença e aplica de modo a que o receptor passe a enxergar o até então invisível. A Bioética interessa-se por esta atuação empreendedora-transformadora, inclusive porque desenvolve missões que podem ser classificadas como bioarte. Nunca é demais recordar no âmbito da inspiradora frase de Jean Cocteau (1889-1963) Não sabendo que era impossível, foi lá e fez para desafiar limites e a superar obstáculos, que a iluminação permitiu que atos próprios do dia pudessem ser praticados à noite, o sol substituído por lâmpadas.
O paciente que faz sucesso na mudança do estilo de vida é aquele que almeja e persegue firmemente os objetivos, comporta-se com dedicação que até pode conviver com momentos de fuga de um ato, jamais com de escape da intenção. Ressalte-se que inexiste estratégia “tamanho único” para reforçar a resiliência, fazer adaptações vale muito conhecer pontos fortes e dificuldades individuais no intuito de recrutar recursos úteis e eficientes pois, ponto fundamental a ser combatido é que, por exemplo, é o vício em nicotina que faz persistir-se fumante apesar do desejo de para de fumar. Não há um botão on/off.
Numa de suas parábolas, Franz Kafka (1883-1924) menciona que Ele tem dois oponentes, um castiga-o por trás e de certa forma ajuda na luta contra o outro que lhe bloqueia o caminho à frente e o empurra para trás. Ele almeja saltar fora do combate e deixar os oponentes lutarem entre si. Hannah Arendt (1906-1975) comenta que a parábola Ele motiva compreender que o passado não deve ser visto tão somente como um fardo a se livrar, mas também como uma força que se compacta para o futuro e que alicerça, por exemplo, movimentos de mudanças.
Numa analogia com a mudança de estilo de vida, Ele – OLS no caso – vivenciou no início uma força que o impulsava para “deixar o passado” e, ao mesmo tempo, deparou-se com outra força que o devolvia ao passado representada pelos mal-estares habituais da transição, gerando uma tensão presente numa lacuna temporal entre passado e futuro.
OLS lutou contra estes dois adversários, conviveu com ambiguidades, com influências duplas que não podiam ser conciliadas e que exigiu a eficiência dos métodos transformadores para proporcionar o salto, vale dizer, bem compreendeu e absorveu o que era preciso passar, tendo a mente alinhada entre a força de vontade que fortalecia o desejo de “ir em frente” e o poder da transformação que não permitia recuar , para assim alcançar os objetivos. Rosas têm espinhos!