3889

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1709- Médico(a), lembre-se do leigo que foi (Parte 2)

Há um verdadeiro bem para os médicos(as) na aquisição do conhecimento tecnocientífico devido ao manejo da beneficência – um domínio  sobre o potencial de fazer o bem –  e deve haver, também, um verdadeiro bem, na mesma proporção, na sua aplicação no paciente, razão maior do usufruto. O humanismo como fio condutor que desaconselha o cientificismo e o tecnicismo e equilibra a redução da escassez com satisfação dos desejos sobre a atenção à saúde. A ideia que médicos(as) não possuem a medicina, eles aplicam medicina.

O exercício profissional ensina que a complexidade acentua-se com o alargamento da abrangência e a extensão da profundidade decorrentes do progresso tecnocientífico e, por isso, em nome da ética e da moral, fica estimulada no profissionalismo a busca constante de controles de incertezas, em função do paradoxo dos alcances de certezas desdobrarem-se em novas incertezas que reforçam o valor da gestão ética na beira do leito.

É possível atingir a certeza no diagnóstico – diagnóstico de certeza – em que novas imagens penetrantes reproduzem velhas dissecções anatômicas. Mas é impossível afirmar certeza de resultados na terapêutica e na prevenção, aproxima-se pelo uso de estatísticas, método válido no geral mas que não é afirmativo para individualizações.

Num Brasil continental, quantas recomendações médicas ao leigo são efetuadas numa unidade de tempo? O número é altíssimo, as circunstâncias fortemente diversificadas, os resultados mais ou menos previstos e pretendidos. Idealmente, elas têm por base um conhecimento tecnocientífico que precisa ser informado pelo médico(a) ao paciente com clareza – percebido pelo espírito atento – bem como captado pelo paciente de uma forma distinta por um encadeamento descritivo – considerado necessário. Hesitações na aceitação pelo paciente são comuns e requerem do médico(a) não somente a boa medicina mas também uma cultura expandida que alimente a eficiência na comunicação técnica e compassiva (não violenta).

Médicos(as) selecionam o acervo da medicina para as individualidades de cada paciente, que, então, é um caso, aliás, cada vez mais, especialmente pela maior presença de idosos com diversas comorbidades, os médicos(as) se defrontam é com acasos da beira do leito, junções que não cabem em único capítulo de livro, em única diretriz clínica, em única disciplina, assim potencializando o valor da equipe profissional. Razão revigorante para o rigor com formação, informação, reforma, transformação e com contraposição à deformação do contexto da medicina, tendo em mente que o continuum do exercício profissional é um trabalho de Sísifo, sequentes chegadas ao topo  – sucesso de um caso – e novas rolagens da “pedra” para baixo como novo caso, o desafio que dá sentido ao cotidiano.

Nos processos de tomada de decisão na área da saúde,  há o polo coletivo de conduta fornecida pela medicina – conduta recomendável (universal) -, há o polo de ajustes individuais – conduta aplicável (àquele paciente) -, há o polo de conformidade à conduta aplicável – conduta consentida pelo paciente – e há o polo de desconformidade da conduta aplicável – conduta rejeitada pelo paciente.

 

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts