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1708- Médico(a), lembre-se do leigo que foi (Parte 1)

Inquestionável! Inesquecível! Atemporal! Primeira aula de Clínica Médica: Jamais se esqueçam dos seus passados de leigos em medicina. Faz bem para a satisfação de ser/estar/ficar do médico e para o respeito às vulnerabilidades do paciente. Um retorno ao passado pré-profissional para melhor qualificar limitações e expansões no presente da conexão com o paciente. Nunca esqueci! Incorporei no Juramento da formatura e cuido para não realizar perjúrio.

O conselho insere-se nos fundamentos da Bioética da Beira do leito, na medida em que dá um tom cultural-histórico acerca do pensar/sentir/atuar dos filhos universais do Pai da medicina, geração após geração, ao relembrar que Hipócrates pretendeu diferenciar e qualificar alguns (numa realidade como médicos com distinções próprias da profissão… “se eles necessitarem aprender a arte…”) para cuidar da saúde dos demais – numa realidade de leigos. Desenvolvimento de uma mentalidade de pertencimento e de acolhimento.

Leigo é termo com pluralidade de significados. Com o tempo, reforcei que leigo em medicina não é tão somente desconhecimento dos conteúdos, mas carência da filosofia de ser/estar/ficar médico(a) que é moldado pela graduação e pela eterna pós-graduação na beira do leito, vale dizer de constituir-se numa comunidade de interpretação.

Assim, leigo é simplesmente o não-médico(a), a pessoa que não desenvolveu adequação às características da profissão. A Bioética da Beira do leito enfatiza que não cabe dizer que o médico(a) é um leigo nas especialidades que não domina ou que o paciente após “aulas com o Dr Google” deixa de ser um leigo. O ponto de distinção é o sentir, pensar, interpretar a situação segundo experiência organizada. De modo resumido, no contexto do conselho, “visão de médico” e “visão de leigo”, o simbolismo da posse ou não de um número de CRM. Representações contra médicos(as) nos Conselhos de medicina  que são arquivadas por falta de ilícito ético ilustram.

A atenção ao conselho contribui para o reconhecimento do valor de um cabedal transdisciplinar como referência no judicioso equacionamento habitualmente multidimensional de aposições e contraposições entre evidências da tecnociência e senso comum, de valorização de sequentes integrações entre o clássico e as inovações e de organização de tomadas de decisão na beira do leito.

Em suma, facilita equilibrar coexistências e correspondências entre razões técnicas, sensibilidade humana, memória e imaginação para os entendimentos que promovem a modelagem ao mesmo tempo identitária e com respeito a moldes universais de conexões profissional-leigo capaz, alinhadas às atualidades éticas, morais e legais.

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