A seguir da anamnese, o autêntico interesse do médico no atendimento constitui-se numa Fase de Captação pelo médico de sinais “ocultos” no paciente pela realização dos exames físico e complementares. Utiliza-se a potencialidade observacional da medicina a fim de promover eliminações dos, até então, desconhecimentos dos impactos da doença. Articula-se com a diversidade de composição dos efeitos de mesma doença.
Após a anamnese, exame clínico e exames complementares, o médico ingressa na Fase de Revelação – organização dos reconhecimentos de natureza tecnocientífica – razão da procura do atendimento profissional pelo paciente e que ele ainda os desconhece. O “Eu de Revelação” na adaptação da Janela de Johari à beira do leito é justamente a competência profissional para selecionar conhecimentos teóricos e da prática a fim de sustentar decisões fundamentadas a serem apresentadas a um paciente leigo. Articula-se com a fidelidade à medicina baseada em evidências para a atenção às necessidades de saúde identificadas.
Finalmente, médico e paciente reúnem-se na Fase Aberta, em que os conhecimentos de ambos são compartilhados, desenvolve0-se um “Eu aberto” bilateral para troca de informações e para esclarecimentos, visando a um planejamento de conduta que concilie ao máximo a potencialidade da medicina com desejos, preferências, objetivos e valores do paciente. Articula-se com o pertencimento da conexão médico-paciente ao caráter psicossocial da medicina.
A incorporação de uma orientação médica pelo paciente que possa ser etiquetada como livre e esclarecida facilita a adesão e a aplicação zelosa na medida em que promove um trânsito fluido entre exterior e interior da mente, não somente do paciente, como também do médico. Esta idealidade moral alinha-se com a imagem da fita de Moebius por uma representatividade de uma desejável integração entre heteronomia da recomendação pelo médico e autonomia do consentimento pelo paciente.

Na fita de Moebius fica impossível determinar qual é a parte de dentro e de fora, ou seja, significa, na beira do leito, excelente afinidade na conexão médico-paciente. Considerando o consentimento livre e esclarecido, um início pela explicação do médico – na borda externa, parte “de fora” do paciente – ao dar uma volta completa – análise crítica pelo paciente – pararia na borda interna, parte “de dentro” do paciente.