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1700- Bioética e valor da cultura geral (Parte 10)

No desenvolvimento do paternalismo, o brando, na beira do leito, o inaceitável de doutor, cirurgia nem pensar, passa para verossímil (talvez pense nisso) em função de mais esclarecimentos que possam elevar a clareza, recuperação do “nocaute” emocional da má notícia, conselhos de terceiros. Segue-se um estado de neutralização da opinião inicial sucedida pela consideração de provável aceitação, finalmente transitada para aceitável por inevitável.

Aspecto correlato no âmbito do Paternalismo, o brando, é a comunicação na beira do leito ocorre entre um profissional acostumado ao tema e um leigo que pode primeira vez lidar com o mesmo. Cabe conjecturar da possibilidade de atuação da frase do psicanalista Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981) que ciente de como a comunicação é contaminada por subjetividades, assim prejudicando a interpretação, muitas vezes causando distorções : sabemos o que dissemos, mas jamais teremos certeza de como foi escutado pelo outro. Por isso, não basta ao médico falar, é preciso ouvir-se falar e, ao mesmo tempo, procurar sentir as reações ” não verbais” do paciente.  

A conexão médico-paciente é uma das mais antigas relações interpessoais centradas na confiança mútua. Beneficia-se da aplicação adaptada pela Bioética da Beira do leito da Janela de Johari  – acrônimo de seus criadores Joseph Luft e Harry Ingham, em 1955 – à beira do leito, um instrumento que contribui para alinhar comunicação e relacionamento com atenção às percepções de si próprio e do outro sobre como ambos estão se desenvolvendo em emissões e captações. Assim sendo, tem valor na anamnese, no processo de tomada de decisão de condutas e nas avaliações durante e após as práticas das mesmas, enfim, facilita dar e receber feedbacks.

A Janela de Johari compreende quatro quadrantes. Suponha bioamigo, um início de atendimento de um paciente sintomático até então desconhecido pelo médico. Segundo o instrumento, eles estão num primeiro momento do relacionamento/comunicação, denominada de Fase Cega, em que fatos que motivaram a consulta são conhecidos tão somente pelo paciente. A adaptação para a beira do leito é que à medida que o médico vai conhecendo as queixas do paciente, fatos correlatos e antecedentes, o “Eu cego” inicial é gradativamente substituído pelo “Eu acuidade do olhar clínico”. Articula-se com a inclusão do paciente no ativo do sistema de saúde.

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