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1694- Bioética e valor da cultura geral (Parte 2)

A história da medicina é riquíssima e variedades de destaques de época que atestam transformações, habitualmente, são fontes de recados pedagógicos sobre valor de algumas permanências. Incluem: a pintura The Doctor (1891) de Samuel Luke Fildes (1843-1927) que contrapõe a ineficiência tecnocientífica com a dedicação do médico e expõe as forças do olhar empático do médico e do olhar esperançoso do pai da criança; o aforismo de Michel Peter (1824- 1893): na prática, havendo cardiopatia, do ponto de vista higiênico, será preferível que a mulher não se case, se ela casar não deve ser mãe, se ela conseguiu uma vez ou duas não deve mais, em caso de parto bem sucedido que se guarde de amamentar – o dever com a segurança da paciente baseada em recomendações de proibição de desejos universais; o pensamento de Jean-Alfred Fournier (1832-1914) motivado pela observação que mulheres casadas eram infectadas com a então incurável sífilis pelo marido nos primeiros anos de casamento e que, por meio da Sociedade Francesa de Profilaxia Sanitária e Moral, preconizou o casamento do homem aos 21 anos de idade a fim de prevenir a doença venérea -privilégio com a segurança do paciente pela evitação de exposição.

A Bioética apoia o profissionalismo na área da saúde ao ajudar a compreensão dos movimentos de surgimento e desaparecimento, ao facilitar desconstruções e ao apoiar reconstruções. Tornou-se indispensável na contemporaneidade da medicina e indissociável do conceito de autêntica responsabilidade profissional como Estou ciente de ter feito ou não ter feito, que farei ou não farei que segundo o psicólogo Rollo May (1909-1994) alinha-se ao nascimento da consciência moral – e perda da inocência – pelo mito de Adão e Eva, em que a verdade interior apresenta-se como exterior e é etiopatogenia de ansiedade e sentimentos de culpa, ao mesmo tempo em que motiva luta contra o conformismo e a apatia.

A Bioética da Beira do leito enfatiza que as maneiras de bióticos interagirem e as disponibilidades de abióticos estão sujeitas a reafirmações, contraposições e retificações tecnocientíficas e atitudinais na beira do leito e, em decorrência, o ser médico é persistente desde a formatura até a aposentadoria, mas o estar médico é versátil. À medida que cresce o número de anos de formado decresce a proporção da aplicação de conhecimentos diagnósticos, terapêuticos e preventivos que o formaram como um médico. A obtenção do diploma de médico representa, presentemente, apenas o ganho de um visto de entrada na comunidade de interpretação chamada medicina.

Um médico que recém completa sua Residência de especialidade, caso forçado a reproduzir Rip Van Winkle, o personagem de Washington Irving (1783-1859), por tão somente um par de anos enfrentaria situações de mudança profissional, “congelamento no tempo”, estagnação mesmo, embora conserve mesma legitimidade do número de CRM.

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