A Bioética da Beira do leito valoriza a cultura geral a ser partilhada na beira do leito por reconhecer a utilidade para integrar cultura tecnocientífica e humanismo e evitar o cientificismo e o tecnicismo.
Aplicações de cultura geral na beira do leito impulsionam aberturas da mente para o exterior, promovem efervescências internas, estimulam questionamentos críticos sobre a informação desacompanhada de conhecimento e a opinião sem base, a ideia vaga, qualificam entendimentos, alertam para as vantagens de justaposições de pensamentos sobre fragmentos sem jamais desconsiderar que eles fazem parte de um todo e representam salvaguardas ao isolamento e à utilização de artifícios para indesejáveis induzimentos.
A Bioética da Beira do leito adota postura enfática sobre os benefícios da incorporação da cultura geral no cotidiano, ressalta que a excelência profissional no ecossistema da beira do leito é praticamente inalcançável em carência da participação/cooperação do conjunto de conhecimentos gerais sobre ciências, artes, literatura, história e filosofia, fontes instigantes e inesgotáveis de constantes reinterpretações da competência segundo a ética, a moral e o legal. Como dito por Benjamin Disraeli (1804-1881): Quanto mais extenso for o conhecimento de um homem para fazer, maior será o sua capacidade para a realização.
Bioamigo, você profissional da saúde atua num ecossistema conduzindo-se a si mesmo como um sujeito moral em meio a inescapáveis tensões entre subjetividades e objetividades do profissionalismo. Desafios, dilemas e conflitos se sucedem pela própria natureza da atenção às necessidades da saúde e exigem repensar caminhos, duvidar de verdades permanentes, desconfiar de certezas prontas, ocasiões de adaptações que se beneficiam do exercício da transdisciplinaridade em prol da expansão e integração de saberes e sabedorias.
As características dos componentes bióticos e abióticos do ecossistema da beira do leito renovam-se aceleradamente por surgimentos e desaparecimentos. A assistência na beira do leito é modernamente provida pela medicina baseada em evidências obtidas em pesquisas clínicas, constituindo incessantes aportes que sofrem ajustes práticos em função de peculiaridades caso a caso não presentes nos fluxos de observação controlados em voluntários de pesquisa, algo como água dos rios, que é doce, que mantém a dos oceanos que, por sua vez, é salgada devido a mecanismos próprios.