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1689- Escolhas (Parte 3)

O quantum satis ético das opções não é rígido, cada médico, cada especialidade médica, cada área de atuação médica tem suas rotinas para respeitar o direito do paciente ao princípio da autonomia e admitir ajustes. Há médicos mais ou menos detalhistas, há especialidades e áreas de atuação cujas necessidades operacionais impõem limites de opções, por exemplo, “limpeza” intestinal para colonoscopia, jejum para procedimentos sob anestesia geral, manobras técnicas intrínseca ao método, danos “obrigatórios” são tudo ou nada.

A Bioética da Beira do leito entende que o quantum satis ético tradicional na questão do consentimento do paciente para a atuação do médico, as doses sobre os itens componentes,  alinha-se ao respeito à integridade mental do paciente e ao contexto do Paradoxo das escolhas formulado por Barry Schwartz (nascido em 1946).

Uma lição útil é que o médico quando esclarece o paciente sobre condutas não deve ser exatamente um médico-bula, não somente no aspecto jocoso de não ser um enrolado numa caixa limitadora, mas também, porque há distintas conveniências e inconveniências de exposição das complexidades tecnocientíficas. Aspectos pessoais, culturais, sociais e circunstanciais justificam cada nível de abrangência e profundidade, sempre considerando que  esclarecimentos não se restringem a um determinado momento, eles são renováveis em consonância com os acontecimentos.

A Bioética da Beira do leito enfatiza a responsabilidade profissional com as notificações e explicações em relação aos métodos para atender aos padrões de precisão de acordo com as necessidades do paciente, idealmente com comprovação da compreensão. Há muitas variáveis incluídas me processos de tomada de decisão sobre conduta terapêutica, por exemplo, e nem todas são explicitadas no âmbito da conexão médico-paciente. Não é habitual, o médico solicitar ao paciente consentimento para realizar consultas técnicas, quer à literatura, quer a colegas especialistas, bem como revelar que tenha feito. Nem sempre, o paciente fica ciente da inclusão “não humana” de robôs ou de inteligência artificial.  

Se um maior número de variáveis pode ser considerado um elemento pró-liberdade de expressão da vontade, limitações do tempo para discussões corroem a liberdade, razão para a seleção criteriosa do que dizer e do que não dizer. Em prol do bom aproveitamento do tempo qualitativo, não há muita razão para “perda de tempo” , por exemplo com o efeito adverso de dor de estômago, com algum tipo de alergia possível – quem não sabe disso? – , em detrimento da adequada compreensão dos prós e contras maiores. A epigastralgia e a coceira serão passageiras e/ou habitualmente contornáveis com facilidade, enquanto que o efeito pretendido talvez possa ser duradouro.   

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