No tribunal da consciência, um caso está sempre em andamento
(Provérbio holandês)
Medicina é difícil, medicina é complexa, medicina é trabalhosa. Exige uma boa imagem do médico. Em qualquer representação contemporânea do (a) médico(a), tradicionalmente exibida associada ao jaleco e ao estetoscópio, a sua consciência profissional em equilíbrio com seus julgamentos morais voltados para o bem deve estar sempre presente na concepção e na apreciação.
Exercício da consciência, crença moral e integridade moral são termos integrantes do profissionalismo do médico, herança hipocrática, compromisso previsto pelo Pai da medicina como imperioso na assunção da medicina pelos humanos e destituição dos deuses.
Credita-se o nascimento da consciência moral ao mito de Adão e Eva, o desenvolvimento de um estado consciente em que a verdade interior apresenta-se como exterior, quando a inocência se desfaz e surgem a ansiedade, o sentimento de culpa e a repressão mescladas à responsabilidade – estar ciente, consciente e proficiente do que fez, faz e fará.
Ditames da consciência e objeção da consciência são expressões de interesse da Bioética. Elas suscitam interações entre moral, ética e legal. De maneira ideal, há o compromisso interior do médico com os interesses do paciente, há regras a serem respeitadas e há leis a serem cumpridas que se materializam no ecossistema da beira do leito em combinações de Quero?/Posso?/Devo?
O contínuo exercício profissional porque acontece no âmago da sociedade por meio de uma conexão entre humanos – denominados de um lado de médico e de outro de paciente – convive com variações de julgamentos morais sobre posturas do paciente que sustentam atualizações de ditames/objeções de consciência profissional. Ocorre uma expressão dinâmica do sentir/pensar/reagir – raramente observa-se imutabilidade total – que se manifesta com a aquisição da experiência com gente pari passu com a percepção que medicina não é tão somente uma fria tecnociência prestando serviços à sociedade. Como dito por Isaac Asimov (1920-1992) a ciência reúne saberes mais rápido do que o ser humano desenvolve a sabedoria para aplicação.