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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1598- Benefício e Proveito no entorno do (não)consentimento (Parte 3)

O instituto da segunda opinião carrega este aspecto de necessidade de transformar Talvez em Sim ou Não. Além da esperança por haver uma opção de melhor notícia, pode haver a motivação pelas incertezas/desconfianças  sobre o conhecimento do médico da primeira opinião. Fica no ar uma disputa entre a visão de beneficência tecnocientífica dada pelo médico e a visão de proveito pessoal dada pelo paciente, que, enfatize-se, pode vir a ser considerada malefício para si.

Voltando à consulta: Ela acontecia nove anos após a última com o Dr. EKR, realizada por ocasião de três meses de pós-operatório bem sucedido. Neste intervalo de tempo, o paciente preferiu ser assistido por médicos do seu convênio, o local era perto da sua casa, ia a pé. Recentemente, surgiram sintomas semelhantes aos do pré-operatório e o paciente recebera indicação de se submeter a uma reoperação.

LPD ficara  indeciso com a recomendação de um médico que o atendia pela primeira vez e que hesitara nas respostas aos questionamentos sobre real necessidade da intervenção. Estava inseguro, precisava ouvir seu médico de confiança, muito embora significasse duas horas de trânsito e uma espera de um mês. Se bem construída, o tempo não apaga a confiança mesmo na distância.

O Dr. EKR fez uma anamnese detalhada, examinou o paciente, analisou alguns exames trazidos, solicitou outros. A consulta perdurou por 25 minutos com muitas indagações do paciente. No íntimo do médico, dominava o pensamento que se tratava de um caso difícil para pronta deliberação.

O Dr. EKR estava muito treinado para lidar com o impacto frequente que os médicos sofrem em ambulatório que é dosar a medida certa do tempo de atenção às necessidades do paciente em atendimento com o conhecimento que ainda tem vários pacientes por atender. O Dr. EKR jamais se valeria do expediente de solicitar exames complementares para abreviar a consulta. O tempo que foi utilizado para o paciente comunicar sua preocupação para o fato de sua empresa depender muito da sua presença, sem substituto à altura para um período de afastamento indefinido, foi classificado pelo Dr. EKR como tão valioso quanto o dispendido para o tecnocientífico.

Dois retornos após, o Dr. EKR entendeu que dispunha da segurança ética dada por um conjunto de elementos clínicos, laboratoriais e de imagem para fazer a sua recomendação. A confiança de LPD no Dr. EKR ambientou a lapidação da decisão que por fim superpôs a visão de perspectiva de benefício/ não malefício da medicina a de proveito pelo paciente.

Nada de original no Dr. EKR, o que pode ser dito é que ele deve ter aproveitado muito bem as “dez mil horas” de treinamento essenciais para tornar um profissional eficiente, manteve o treinamento disciplinado sob a ideia que o que é preciso aprender a fazer é fazendo que se aprende num local de trabalho prazeroso e comprometido com a excelência profissional e incorporou o apoio ético/moral e legal concentrado na Bioética.

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