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1589 – Útero e Bioética (Parte 4)

Útero, matriz, mãe. Uma tríade poderosa que desperta e difunde saberes e sabedorias na sociedade num contexto de transdisciplinaridade que cerca de não muitas décadas ganhou a incorporação de contribuições qualificadas da Bioética. Acresce que ela tem implicações cada vez mais intensas na atitude médica em função da feminização da medicina. A entrada de mais mulheres no exercício da medicina tem potencial para influenciar práticas, políticas e atitudes em relação à saúde reprodutiva e demais aspectos da medicina, inclusive na atuação da Bioética.

Ideias sobre expansões da dependência física obrigatória como similaridades acumularam-se e reforçaram a representatividade do útero. Por exemplo, a analogia com uma dependência psíquica no decorrer da vida por efeitos de tendências regressivas nos seres humanos que trariam o desejo de retornar à idealizada acolhedora matriz. Uma nostalgia peculiar. A Bioética da Beira do leito testemunha reações individuais dos pacientes neste
sentido metafórico e as utiliza como matérias-primas no planejamento do acolhimento individualizado ao paciente. A preocupação com a desorganização da vida sob a ameaça da doença, que frequentemente desperta um desejo de retorno à segurança idealizada da organização inicial protegida. Trata-se de uma busca pela continuidade em momentos de riscos de descontinuidade.

Dissecções anatômicas à parte instigadas pela curiosidade de conhecer o que existe sob a pele humana, o desenvolvimento inicial da vida despertou a curiosidade e a criatividade de artistas como Leonardo da Vinci (1452-1519) que desenhou úteros com fetos, desta maneira fornecendo uma ideia popular. A representação estática aconteceu alguns séculos antes da dinâmica proporcionada pela ultrassonografia pré-natal que possibilita detalhamentos
individualizados em tempo real com excepcional utilidade clínica e que inclui efeitos sobre aspectos psicológicos da relação materno-fetal. A função uterina de mãos dadas com a revelação pela imagem. Ajustes preventivos e terapêuticos possibilitam mais taxa de sucesso ao tudo ou nada articulado ao protagonismo uterino, graças a uma evolução do conhecimento humano de uma representação artística para uma visão científica mais detalhada e precisa.

O finalmente gestacional do período expulsivo do parto é o ápice do processo reprodutivo e a nova vida tem um significado especial para a Bioética da Beira do leito, que é o nascimento de uma consciência moral que se desenvolverá interligada a juízos. Ela terá características mais comuns ou mais distintas em consonância com cidadania, direitos e deveres. Modos de enxergar responsabilidade, liberdade e autoridade incluem-se e fazem diferença na conexão medicina-médico-paciente.

A todo momento, o médico lida com uma série de dados e fatos originados num útero. A boa anamnese médica e multiprofissional não dispensa estes subsídios integradores do hereditário e do congênito para a excelência do atendimento às necessidades de saúde do paciente. A Bioética da Beira do leito, enfatize-se, não se restringe tão somente a questões de saúde, mas também inclui o respeito aos direitos humanos e à dignidade dos pacientes, fundamentais em sociedades democráticas.

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