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1582- Salutarismo e Bioética (Parte 7)

Há o perigo, entretanto, de o leigo vivendo em meio a um emaranhado de ansiedades e esperanças e pretendendo atuar em seu próprio favor na promoção de saúde venha a sofrer contaminações em sua boa-fé por certas crenças populares, conflitos de interesse, ideias de supervalorização do bem-estar e incógnitas por uma consideração holística da saúde. Quem confere o quê? Como verificar alguma certificação de credibilidade? A adjetivação como natural pode ser um artifício.

A Bioética da Beira do leito entende que o par saúde-doença na contemporaneidade do controle de manifestação de doenças por ampla e crescente diversidade de saberes e recursos fica melhor representado pela admissão do amplo conceito de adaptação e autogestão em resposta a possibilidades de  desequilíbrios que envolvem interessantes interações entre ciências da saúde, salutarismo, transdisciplinaridade e psicologia social.

As expectativas costumam oscilar entre positivas ou negativas e alinhadas a experiências já vivenciadas e a acontecerem podem ser realizadas tais como efeitos placebo e nocebo. Elas podem ser sentidas como mudanças bem-vindas ou mal-vindas por uma série de circunstâncias do interior e do exterior do indivíduo.
Na prática, não faltam exemplos de efeitos placebos de disponibilidades ditas alternativas à medicina validada e de efeitos nocebos associados a evidências científicas de métodos usuais.
A ética médica recomenda ao médico aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do progresso científico em benefício do paciente e da sociedade, ou seja, as palavras do médico para o paciente necessitam de uma fonte confiável de sustentação tecnocientífica. Todavia, a sociedade é sensível a crenças que provocam fortes expectativas positivas  internas e efeitos placebo.
Fica a pergunta: O médico julgar como intolerável uma prática relatada pelo paciente é sempre um ato de intolerância? O médico deve tolerar a opinião do paciente destituída de crédito científico porque ela se refere a algo presente na sociedade e poderia ser justificada por  causar pelo menos um efeito placebo? A consideração de eventual perda da melhor oportunidade por atraso causado pela crença deve ser sempre prevalente?
A verdade não obedece como dito por Alain, pseudônimo de Émile-Auguste Chartier (1868-1951), mas não se pode esquecer que como expresso por Arthur Schopenhauer (1788-1860) toda verdade passa por três estágios: inicialmente é ridicularizada, a seguir é violentamente oposta e finalmente é aceita como autoevidente. Será que se aplica ao conjunto da chamada medicina holística? O bioamigo com a palavra!

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