O salutarismo por ser uma concepção, um movimento que entende que comportamentos individuais e de grupo são passíveis de serem influenciados pela presença de outras pessoas articula-se com a psicologia social que procura tornar inteligível as influências nem sempre bem claras do coletivo da sociedade sobre uma gama de comportamentos individuais.
No decorrer de uma consulta, o médico pode dar conselhos ao paciente dentro do espírito do salutarismo, alertar para decorrências da psicologia social, idealmente expressando-se seguindo orientações da Comunicação Não violenta e cuidando para ater-se ao modo brando do paternalismo que reexplica e procura compreender comportamentos “negativos/negacionistas” sem nenhuma intenção coercitiva.
Os pacientes não são obrigados a acatar as recomendações do médico em prol da reordenação acerca da saúde e do bem-estar, elas não são aplicadas pelo médico como numa internação hospitalar, serão ou não autoaplicadas pelo paciente.
Por curiosidade, logo completará 100 anos do vigor de O enfermo deve implícita obediência às prescrições medicas, as quais não lhe é permitido alterar de maneira alguma. Igual regra é aplicada ao regime dietético, ao exercício e qualquer outras indicações higiênicas que o facultativo creia necessário impor-lhe, constante no Código de moral médica vigente no Brasil entre 1929 e 1931.
Associando à Bioética, recomendações médicas idealizadas alinham-se aos princípios da beneficência e da não maleficência ,enquanto que eventuais (des)obediências associam-se ao princípio da autonomia. Cada (des)obediência corresponde a um (não)consentimento do paciente ao pensamento salutar numa forma livre, esclarecida, renovável e revogável e que transfere a competência médica para a consciência do indivíduo leigo. Cada um que se eduque a si mesmo! Que selecione as influências! Que desenvolva o sentido de ascese!
O médico ao praticar orientações preventivas relativas a hábitos de certa forma ajuda o paciente a sair do simbolismo da caverna de Platão, de objetividades fantasmas e se direcionar como partícipe ativo, num plano individual da experiência humana, para o mundo real do conhecimento e da verdade cientificamente fundamentada, assim reduzindo sombras ilusórias, desacorrentando de realidades enganosas. Podemos considerar que Hipócrates, o Pai da medicina, foi quem que segundo Platão conseguiu sair e retorna geração a geração na figura de seus filhos universais.