Uma terceira formulação conceitual é a capacidade de autorregular um conjunto de capacidades básicas. É conceito que alinha capacitações pessoais com o domínio da saúde, o poder de praticar direitos, inserido num contexto de justiça da saúde, justiça social. Indica que a presença de um CID pode conviver com bem-estar se não houver o par constituído por incapacitações (internas) e discriminações (externas).
Conjuga saúde com habilidades pessoais e poder situar-se de fato numa interação com o ambiente externo, sem a qual fica comprometida a qualidade de vida, rebaixa-se o bem estar do atingir felicidade, usufruir de liberdade, satisfazer necessidades básicas. Em suma, para falar em saúde não basta ter a capacidade de fazer é necessária a presença de reais oportunidades para a realização.
A efetiva reposição hormonal por levotiroxina proporciona condições metabólicas para alguém motivar-se mentalmente e conseguir fisicamente matar um leão por dia, todos os dias. Mas, precisa existir o leão social. Há sem dúvida uma doença: no caso a doença de Hashimoto-, preenchimento os critérios de disfunção (na produção hormonal), repercussão clínica (hipotiroidismo), explicável por fatos biológicos e está além do controle direto consciente do paciente.
Contudo, o bem-estar está preservado pela contribuição da medicina e há conjunturas externas para as realizações de fato acontecerem. Uma mentalização de ecossistema em que a doença do indivíduo é amparada pelo sistema de saúde proporcionado pela sociedade em ausência de obstáculos sociais maiores – recursos bióticos e abióticos.
Este conceito também é aplicável a circunstâncias sociais onde a saúde pode ser vista pelo seu avesso, sem um CID, por exemplo, em situações onde dogmas comprometem a qualidade de vida, o bem-estar proporcionado pela felicidade, pela liberdade. A adolescência é pedagógica neste aspecto construtivo da interação indivíduo-cultura.