Na verdade, resultantes decisões no âmbito da conexão médico-paciente na beira do leito são influenciadas por composições entre realidades de liberdade teórica e de não liberdade prática e que impactam no binômio Ciência-Ética, na assistência e na pesquisa clínica.
O médico deve se comprometer com o estado da arte aplicável ao caso com prudência e zelo, o paciente guia-se por sua dor e seu sofrimento de modo integrado, na medida do possível, a sua identidade atrelada a desejos, preferências, objetivos e valores. Movimentações e inércias próprias da contemporaneidade resultam na interpretação que cada caso clínico é um acaso humano, (des)organizado com distintas calibragens de idealidades, possibilidades e niilismos.
A Bioética da Beira do leito entende que deveres e direitos vigentes na sociedade são vigorosas fontes energizantes das forças mandatórias na beira do leito que impactam sobre a visão absoluta de liberdade. É bem sabido que há a medicina baseada em evidência provocando responsabilidades prescritivas para o médico e há a autonomia de relação que traz pressões ao paciente, tanto as bem-vindas do bom senso. quanto as que resultam prejudiciais aos “melhores interesses do paciente”.
A conexão médico-paciente pode vivenciar atitudes que conflitam com a conexão médico-medicina, assim como a conexão paciente-sociedade pode desenvolver atitudes conflitantes com a conexão médico-paciente. Instituições de saúde e sistema de saúde participam ativamente nas equações de liberdade da conexão médico-paciente sobre ambos componentes.
A imperiosidade moral do consentimento a ser dado pelo paciente quer a cada passo do atendimento, quer tão somente na ocasião da decisão final sobre intervenção é cenário relativamente recente na beira do leito e está alinhada ao princípio da autonomia que visa a promover a voz ativa de um leigo capaz de vir a compreender a contribuição da medicina sobre temas tecnocientíficos que se fazem cada vez mais complexos.
A Bioética da Beira do leito aprecia a aplicação no processo do Consentimento Livre e esclarecido a metáfora do passageiro do ônibus de Clapham, uma pessoa razoável, um ser humano comum que se comporta com sensatez que viaja para uma área pouco comum de Londres, e que embora não seja um especialista tem algum conhecimento do mundo. Evidentemente, a razoabilidade pode carregar um conjunto de vieses e admitir pluralidades. Tolerância é essencial na beira do leito.