3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1508- Devir, “há de vir” e Bioética (Parte 2)

O ambulatório crê num universo de  contrafluxos  organizados, o que pode ser sintetizado na curiosa expressão contemporânea: a ciência como estado da arte. Já o Laboratório de pesquisa duvida para não ficar refém de um modo estático do pensamento vigente e, desta forma,  permite percorrer um mundo de labirintos sem se ater a um sistema (inflexível, dogmático), assim nos liberando ao livre pensar criativo e evitando ficar refém do que achamos que bem conhecemos. Só evolui o que encontra movimento.

A “certeza resolutiva” do método terapêutico que acompanha o zelo do ambulatório em praticar o conhecimento de fronteira e o “método de pesquisa certo” do laboratório consciente da prudência com a fronteira do conhecimento aceitam distintas lógicas e visão de realidade em meio às complexidades. A Bioética assim “acontece” nas trilhas da inter e transdisciplinaridade.

O conceito de devir aplicado à Bioética,  porque contribui para a forte atenção à multiplicidade e diversidade do que “há de vir” nos círculos clínicos,  minimiza os riscos de cometer violência, que é sempre imputação de algo que não pertenceria à natureza de um corpo. A Bioética valoriza a autonomia pelo pressuposto que por sermos todos diferentes é que somos iguais em direitos e deveres.

A decodificação da comunicação sobre beneficência/não-maleficência no vínculo médico-paciente costuma ter um movimento que começa na noção de um “há de vir” (hiperglicemia acentuada e potencial de coma), prossegue na informação para paciente que é “uno” – um diabético -, converge para esforços de transformação da informação em conhecimento – tratamento intensivo-  e de produção do entendimento.

No consentimento ou recusa pós-esclarecimento, fluem a razão e a imaginação. A razão, pelo papel de intuir, deduzir e medir, costuma intervir de forma reguladora sobre o que o paciente conheceu. A imaginação construtiva e criativa faz complementos nas lacunas deixadas pelo que não foi informado ou não resultou esclarecido. Crenças oscilam entre lógica e imaginação.

O desenvolvimento de choques de realidade no decorrer de atendimentos médicos tem raízes no peso com que a razão, a imaginação e a analogia foram  sementes que germinaram a árvore de  tomada de decisão.

Como cidadãos conhecemos a certeza do devir da semente da maçã, como médicos sabemos das incertezas do que “há de vir”. Neste contexto, a Bioética, como ato, nos lembra que o exercício da clínica  admite movimentos pendulares de percepção da eficiência, motivo pelo qual   ele deve sempre aliar-se a uma crítica antecipatória de posicionamentos. Ser prudente significa aceitar a nobreza do singular (univocidade) e a riqueza da multiplicidade em devir.

Preparar-se para os fluxos e os contrafluxos do que “há de vir” e para  o devir da natureza humana inclui praticar  a Bioética.

Bioética, não se movimente à beira do leito sem ela!

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts