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1480- Voz ativa do paciente como propriedade (Parte 5)

Assim como no jogo do xadrez em que a sucessão de jogadas é um passado presente eterno na condução para o xeque-mate, no processo de fazer escolhas na beira do leito, o minuto-a-minuto do médico, o passado é guia nutrício porque alimenta a variação em espiral ascendente da capacidade de escolha do médico – diagnóstico diferencial, tratamento de escolha, prevenir é melhor do que remediar- na medida em que eleva a confiança profissional para o útil e eficaz e reduz – idealmente a zero- o direcionamento para o indesejável. 

Neste processo de continuado apuramento, de uso persistente de lápis e borracha desenhando e redesenhando a competência profissional, o passado presente eterno tem o dom de amplificar o grau de liberdade com segurança – admite também autoridade- para que o médico venha ter menos dilemas de conduta perante os desafios impostos pelas contraposições entre a fidelidade ao estado da arte universal e o mais adequado equilíbrio entre beneficência, maleficência e autonomia no caso clínico específico.

O passado presente é como o número do CRM, um mesmo que se adquire para começar a praticar medicina, torna-se menor na escala dos números a cada ano que passa, e, parte inseparável do médico (Não basta ser médico é preciso (a)parecer com carimbo), a cada aposição pelo carimbo, simboliza acúmulo de bagagem profissional pelo atendimento.

O médico sempre foi o duplo paradoxal de um ser humano livre para examinar e escravo da clínica/ciência. Mais recentemente, ele reduziu a conotação de atividade liberal, manteve o sentido de liberdade dado pela experiência e acentuou a submissão a evidências científicas. As transformações à medida que vão sendo vivenciadas balançam, balançam, são xingadas, mas não extinguem a gana de ser/estar/ficar médico sustentada pela preservação do narcisismo benigno cujo objeto é a medicina pela qual o médico trabalha, se realiza, e disso se orgulha e que deve se contrapor ao narcisismo maligno em que a medicina seria uma posse e não uma realização, e que a necessidade de ser mantida causa afastamento da realidade. Um enfático Você tem que fazer expressa para o paciente que o médico possui a medicina e não permite invasão neste privilégio no processo de tomada de decisão. O narcisismo benigno fortalece o paciente ser visto como sujeito na conexão medicina-médico-paciente.

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