3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1462- Non nocere imortal (Parte 13)

A Bioética da Beira do leito  preconiza que o médico, como ser gregário que precisa ser, tem que fazer “direitinho” a sua parte, viabilizar rumos inclusive dramáticos da sua missão profissional, e, na medida do possível – o mais extensível- contribuir para o acerto das demais partes, até porque o Princípio XIII do Código de Ética Médica vigente reza que: O médico comunicará às autoridades competentes quaisquer formas de deterioração do ecossistema, prejudiciais à saúde e à vida. 

A Bioética da Beira do leito adverte que desde sempre, mas atualmente mais evidente em função dos efeitos imprevisíveis das redes sociais, o par formado por silêncio e anonimato carrega o paradoxo da prudência (para si) e da indiferença (com os outros). Uma coisa é o silêncio do sigilo profissional e o anonimato que restringe o promocional indevido. Outra coisa é “esconder-se” na vista de todos. Dilemas sobre o que, como, onde e quando se manifestar acontecem diuturnamente, hipóteses em construção mental que estão longe de já sínteses, ávidas por um pingue-pongue intelectual ainda rascunho, geram, não infrequente, antíteses consolidadas com a convicção de um tambor (barulhenta e oca), assim comprometendo o espírito acadêmico da livre expressão de ideias e debates fundamentados, impessoais, sobre prós e contras. A Bioética é um fórum avesso ao inibitório, especialmente quando decorrente da superficialidade de conexão associada à modernidade líquida conforme Zygmunt Bauman (1925-2017).

Já o compromisso com a solidificação das relações humanas fez de Hipócrates (470 aC- 370 aC) um homem-época, definido como alguém possuidor de notável inteligência, caráter e vontade e não fruto de um acidente de posição  como homem-momento- o menino holandês que tapou com o dedo o buraco de um dique. Merece o título porque influenciou desenvolvimentos subsequentes numa direção diferente da existente.

Pela bifurcação da história da medicina que ele fez, colocando uma placa de contramão na outra via, virando a chave dos deuses do Olimpo para o humano da cidade, evidentemente não sozinho, essencialmente pelo seu interior que colocou na empreitada e que não deixou de ter fortes oposições pelos que valorizavam a fé nos deuses gregos, Hipócrates foi um precursor da Bioética. Seu legado tem o espírito que só seria nomeado como Bioética tempos depois.

Aliás, a expulsão de Adão e Eva do paraíso, ao caracterizar o nascimento da consciência moral da humanidade já não tem Bioética embutida? A maçã da árvore do bem e do mal como símbolo do despertar do estado consciente, o que desencadeia  ansiedade (sobre o futuro) e sentimento de culpa (sobre o passado) no médico na beira do leito, aspectos frequentemente embutidos em demandas a Comitê de Bioética.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts