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1425- Questões de temperatura na conexão médico-paciente (Parte 9)

A pedagogia do oxímoro associado à temperatura que tem como um dos alicerces o emprego de palavras familiares é útil, também, para o constante processo do médico de fazer-se com ganho de fundamentos, especificamente, na necessidade da gestão de crises na beira do leito.

É capital que o médico entenda o valor de se dispor ao aprendizado de atitudes enquanto “frio em relação à possibilidade” para vir a aplicar no calor de acontecimentos reais. Afinal, não é assim que pensa para os aspectos tecnocientíficos e como pensou William Stewart Halsted (1852-1922) quando instituiu o conceito de  Residência Médica? Ajuda a debruçar-se nas formas de respostas para ganho de profundidade, pois no calor do conflito a prioridade é tão somente dissolver a confusão no menor tempo possível.

Observamos médicos jovens nada desejosos de aceitarem recomendações de treinamento em atitudes ao contrário da energizada disposição para a tecnociência. O termo evidências não lhes cabe para atitudes com a mesma dimensão qualificada para a ciência. A Bioética da Beira do leito enfatiza como um passado real impactante na memória-Ser do médico desperta a sabedoria da chance da repetição. Aplicada a antagonismos chocantes na conexão médico-paciente, ela  aconselha preencher lacunas de um agora coldto-um nada improvável futuro hot.

Hábitos preventivos no âmbito da sabedoria prática que reduzem desprazeres ou, até mesmo, buscam a dor que evita uma pior, além de demarcar fronteiras que naturalmente seriam obscuras, são adquiridos pelo médico exclusivamente no cotidiano da beira do leito. Eles passam a ser vivenciados, caso a caso (cada vez mais acasos a acasos), numa união do passado (onde aconteceu o que não se deseja que se repita) e do futuro (onde não se deseja que repita o que aconteceu) e, portanto, o presente e o futuro conduzem-se pelo passado, um clássico da medicina. A coleção de hábitos preventivos pode ser sintetizada na interjeição Cuidado! Cuidar com cuidado, cuidar do cuidado e cuidar pelo cuidado são frases de efeito que bem expressam a responsabilidade do médico com a integralidade (prevenção inclusa) da atuação na saúde.

Esta memória-tempo sensível ao conceito do hot-cold empathy gap/cold-hot empathy gap aplicada à virtude da prudência e com pseudópodos para a temperança (respeito a nossos limites), coragem (que faz prosseguir apesar dos temores) e justiça (atribuir a cada um o que lhe cabe) tem o potencial de ser um divisor de águas em relação à chamada prevenção secundária, quer no conceito habitual de uma doença, quer numa ampliação do conceito para conflitos da conexão médico-paciente. A preocupação com a “climatização preventiva” do ambiente da beira do leito é daquelas situações onde somente após sentir a falta é que se dá o valor merecido.     

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