3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1424- Questões de temperatura na conexão médico-paciente (Parte 8)

Como se sabe, o calor é um dos quatro elementos do universo ao lado de ar, água e terra segundo os gregos antigos e o mito de Prometeu, o titã que roubou o fogo dos deuses para entregar à humanidade e foi severamente castigado por Zeus, admite o significado que a possibilidade do uso do conhecimento (pelos mortais) tanto para o bem quanto para o mal desperta a fúria (dos deuses). Figurativamente, pode-se pensar que a infração ao salvo do Art.34 por uma eventual “lacuna térmica” médico-paciente desperte uma representação ao CRM para “comer o fígado” do médico como um “castigo” ético.
A pedagogia do oxímoro associado à Psicologia e à temperatura aplica-se a tomadas de decisão de natureza preventiva na beira do leito. Corresponde ao fato de o ser humano não perceber que tendências de preferências e comportamentos estão sendo influenciadas pelo seu estado afetivo. Assim, o hot-to-cold empathy gap associa-se a uma sensação de estabilidade da situação presente – uma raiva incontida que gera uma agressão física sem se dar conta que logo passará mas não as consequências legais – e o cold-to-hot empathy gap associa-se à dificuldade de quando em situação agradável se projetar numa desagradável – minha nossa, o que foi que eu fiz ontem… 

Não há dúvida que o ecossistema da beira do leito se faz cada vez mais propício para expor estas lacunas “térmicas” entre os bióticos em  desafios, dilemas e conflitos na conexão médico-paciente, em contextos prospectivos, retrospectivos e interpessoais com destaque no campo da medicina preventiva cuja missão é justamente, atuar num “estado frio” em relação a sintomas para evitar futuro “estado clínico quente”.

Num contexto prospectivo da medicina preventiva na beira do leito, a lacuna “térmica” acontece quando o paciente é instado a predizer um comportamento futuro sobre a saúde que estará sob estado emocional distinto do atual. Um estado afetivo “frio” em relação à saúde (”não sinto nada”) torna a pessoa menos aderente a uma recomendação sobre valor de fármaco ou mudança de hábito visando a preservação da saúde no longo prazo. (Porque devo parar de fumar para evitar um câncer daqui a 50 anos?). Ademais, a “lacuna térmica” embasa críticas sobre o valor antecipatório de uma Diretiva de Vontade.

Num contexto retrospectivo, a lacuna “térmica” ocorre quando, por exemplo, médico ou paciente se lembra – e reprova – de um comportamento passado que estava sob outro estado afetivo (Agora que tudo passou, preciso pedir desculpa pela grosseria de ontem). 

Num contexto interpessoal, a lacuna “térmica” se materializa na dificuldade de interpretar comportamentos do outro por não estar – ou nunca tenha estado- no estado afetivo dele (Como é que este paciente não consegue ficar calmo como os demais aguardando sua vez de ser atendido?).   Tem muito a ver com o valor da empatia na beira do leito.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts