3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1413- Dominação, Bioética e passageiro do ônibus de Clapham (Parte 14)

Max Weber

Dominação como obediência a determinado mandato nas particularidades do ecossistema da beira do leito não deixa de apresentar encaixes nos três tipos organizados por Maximilian Karl Emil Weber (1864-1920). Há a dominação carismática desde o paciente pelo entendimento/reconhecimento das qualidades profissionais do médico e legitimidade da competência, de modo associado a uma confiança construída e articulada a se tornar cliente, e que se mostra, habitualmente, instável em função de circunstâncias evolutivas.

Há a dominação tradicional referida a uma fidelidade difusa à profissão de médico e que apresenta estabilidade social e efeito de consciência coletiva  sobre a figura de médico – o olhar do médico constituinte da subjetividade da sociedade-, como possuidor inequívoco de compromisso moral simbolizado no Juramento de Hipócrates, sabedoria reconhecida, mesmo sendo médico ainda desconhecido do paciente quanto à competência, como num atendimento de emergência em inédito ambiente; corresponde ao “eterno ontem” de costumes santificados por valores e hábitos com fortes raízes na sociedade em que a obediência se faz mas aos costumes do que ao

médico propriamente dito. Liga-se ao somos “disciplinados” e “subjetivados” pela medicalização, pois discursos, práticas e instituições são cristalizações de relações de poder dito por Michel Foucault ao tratar do arquipélago do poder. Há a dominação legal, ligada a estatutos, como a hierarquia numa equipe de saúde em função do conhecimento e da habilidade acumulados.

A Bioética da Beira do leito incentiva apreciações de mescla destes três tipos de dominância no âmbito da beira do leito aos princípios da Bioética com a finalidade de ajustar a conexão médico-paciente aos entendimentos atuais sobre compromissos da composição, modos de comunicação e clima de parceria.

A conexão médico-paciente é relacionamento sui-generis que expressa dominâncias em diversidades de conjugação entre indispensabilidade da medicina atualizada num enorme universo de 55 especialidades médicas filiadas à Associação Médica Brasileira e 59 áreas de atuação da Medicina reconhecidas pelos Conselho Federal de Medicina, arte da sua aplicação pelo médico cada vez mais amarrada a ferramentas tecnológicas e realidades da receptividade pelo paciente cada vez mais plural. A pandemia pelo vírus SARS-CoV-2 testemunhou como consultas por meio de aplicativos de mensagem que eram previamente rejeitadas na comunidade médica como antiéticas tornaram-se aceitáveis e desejáveis.

Carisma, tradição e legal se imbricam em proporções distintas caso a caso, ao acaso mesmo, com os princípios da Bioética e configuram permanente tensão interpretativa entre genuína colaboração por pessoas e estado de dominância e que é enfeixada com direitos e deveres na área da saúde.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts