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1407- Dominação, Bioética e passageiro do ônibus de Clapham (Parte 8)

Desejos tão humanos de eliminação de efeito de doenças que entretanto resultam em se conformar com a convivência crônica evidenciam que a medicina é (ainda) insuficiente e estimulam o movimento pendular entre tratar doença e promover saúde. Subentende o alerta da frase: As pessoas passam a metade da vida a arruinar a saúde, e a outra metade a procurar curar-se. Admite uma analogia sobre o alerta de Sun Tzu (544 aC- 496 aC): Na guerra (doença) prepare-se para a paz (saúde), na paz (saúde) prepare-se para a guerra (doença).

Modernamente, a interpretação do significado de saúde deve incluir a convivência com doenças crônicas – alinhado ao contexto de aumento da expectativa de vida da população associado a número crescente de comorbidades sob controle – pela dominância da habilidade para se adaptar e autogestão face a desafios de ordem física, mental e social envolvendo seis dimensões: funções corpóreas, funções mentais e percepção, contexto espiritual/existencial, qualidade de vida, participação social e atuação cotidiana.

Doenças agudas/descompensações das crônicas têm o potencial de dominar a capacidade física do doente. A medicina tem potencial de dominar aspectos etiopatogênicos e fisiopatológicos das doenças. Médico capacita-se a dominar conhecimentos e habilidades. Indicação de um método é dominância de sua beneficência. Contraindicação de método é dominância de maleficência. Não indicação é dominância da ciência. Indicação contrariada é dominância do respeito ao exercício do princípio da autonomia pelo paciente capaz.

A beira do leito sempre testemunhou a dominação simbólica do médico por meio de um poder simbólico sustentado em conhecimentos e práticas da medicina, bem como o potencial de usual desqualificação do dominado. Acúmulos de abusos sobre dominados, todavia, provocaram reações estruturadas objetivando tornar pacientes – e voluntários de pesquisa- pessoas livres e autônomas para tomarem decisões a respeito da própria saúde.

Por outro lado, a expansão das informações sobre saúde não mais pela presença diante da pessoa do médico fundamentou e estimulou uma conscientização social sobre a importância do nível primário de atenção à saúde, da adoção de hábitos saudáveis como eliminação do sedentarismo, tabaco e alimentos entendidos como fatores de risco de doenças e do valor do meio ambiente.

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