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1395- Afável paternalismo médico, rigorosa tolerância e sensível acolhimento ao paciente (Parte 6)

Respeitar o Não doutor  é imperativo categórico do ecossistema da beira do leito contemporânea, acende-se o sinal vermelho e ocorre um breque operacional sobre bióticos e abióticos. Significa o exercício da tolerância pelo médico por mais que ele resulte atormentado pela recusa, virtude que é somente aplicável a questões de opinião e quando se poderia impedir de alguma forma a negativa, por exemplo, pela afirmação de autoridade científica da medicina via o médico.

Tolerar implica em se responsabilizar, por isso é antônimo de indiferença e admite não somente o paradoxo do perigo da tolerância ao intolerante, como também uma limitação circunstancial especialmente em relação a aspectos da liberdade. Ciência não exata como a medicina jamais deixou de atrair em sua organização social tanto o cooperativo quanto o conflituoso, o que, na saúde humana direcionou, até recentemente, para uma cultura apreendida desde o contato com o pediatra que ordem médica é para ser irrestritamente cumprida.

Por outro lado, o Não doutor não pode provocar palavras mentirosas do médico a fim de contornar o aperto profissional, o incômodo de uma perda do chão e, o mais expressivo, sob pretexto de camuflagem da sinceridade a fim de reverter a “má decisão leiga” e assim poder cumprir o protocolo.

A mentira pelo médico não se enquadra como efeito colateral da sua frustração pela negativa do paciente à recomendação cientificamente beneficente/clinicamente não maleficente. Não nos esquecemos que a verdade é do conhecimento e o valor é do desejo. Verdade não se discute, não se vota e independe de preferências ou das opiniões de cada um, como exposto por André Comte-Sponville (nascido em 1952) e que relembra o dito por Alain (Émile-Auguste Chartier,1868-1951): tolerância  é uma espécie de sabedoria que supera o fanatismo, este temível amor à verdade. O Não doutor embute um potencial preço a pagar, jamais pelo médico por infração ao item prudência na comunicação que se inclui no Art. 1º: É vedado ao médico causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência do Código de Ética Médica vigente.

A tolerância do médico a um Não doutor do paciente é mais fácil de ser praticada quando se conscientiza que objeções não costumam representar a existência de dúvidas do paciente sobre a competência do médico. Não doutor diz respeito, comumente, a contraposições do paciente ao disposto pela medicina – recorde-se as quatro primeiras palavras do Código de Ética Médica vigente: A medicina (e não médico) é uma profissão – por diversas razões como descrédito na ciência, temor de adversidades e valores como religiosos.

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