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1372- Uma questão de tempo (Parte 2)

A Bioética da Beira do leito exige-se sensível à voz da medicina, à voz do médico e à voz da população pelo objetivo de cooperar para a qualificação de estratégias e encontro de níveis admissíveis de flexibilizações perante os cotidianos desafios, dilemas e conflitos da conexão medicina-médico-paciente/familiar. Também à voz das máquinas…

Num contexto de só persiste o que muda, qual o fluxo de rio, jamais mesma água doce que corre inexorável para se tornar salgada, o hoje fluvial amanhã marinho, de certa forma reproduz-se o espírito do cenário original hipocrático na ilha de Cos no mar Egeu com o simbolismo mitológico do epônimo.

Hipócrates (460 aC-370 aC) ao afastar os deuses gregos das “prescrições de saúde”, qual o mito de Adão e Eva da expulsão do Jardim do Eden, deu nascimento à consciência moral do médico, a consciência da responsabilidade pelo que faz e, é indiscutível, o estado consciente decorrente mostra-se atávico, um inato do profissionalismo no ecossistema da beira do leito.

As virtudes da mente direcionadas para a saúde voltaram-se para uma responsabilidade humana, para a criação de uma identidade de realização, para absorção de um estímulo e devolutiva intenção de resposta conveniente. O desenvolvimento de uma confiança no ser humano articulada a antecipações, esperanças e fé que se tornou fortemente embebida de um determinismo científico.

Ponto alto desta inspiração/autocriação foi a busca do verdadeiro conhecimento e real finalidade pela disposição de anotar detalhadamente os sintomas e sinais evolutivos dos pacientes, aguardar o óbito e realizar o exame anatomopatológico revelador dos constituintes da doença. Assim nasceu o diagnóstico e o prognóstico natural, que se tornou estímulo essencial para a pesquisa terapêutica, não sem acasos como a descoberta da penicilina por Alexander Fleming (1881-1955) ou revelações como do reverendo Edward Stone (1702-1768), que sob a crença que Deus coloca o remédio próximo à doença descobriu o salicilato de sódio sentindo o gosto amargo da casca do salgueiro existente em profusão num pântano que provocava a febre dos pântanos.

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