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1367- Cérebro-cérebro no ecossistema da beira do leito (Parte 3)

Se o estetoscópio nasceu numa conexão coração-cérebro propedêutica e logo motivou a cérebro-cérebro do interesse profissional pelo instrumento, tecnologias atuais proporcionam conexões cérebro-cérebro intra e entre membros de comunidades de interpretações (disciplinas, por exemplo) viabilizadas pelos órgãos dos sentidos, atualmente, devido ao boom das imagens, com a hierarquização da visão. Pode-se afirmar que o que os olhos não veem nos exames de imagem, o raciocínio clínico se ressente reforça-se nos dias atuais de desvalorização ao esmero do par anamnese-exame físico.

Se o estetoscópio faz cogitar uma atividade individual com seus aspectos de identidade, autonomia e responsabilidade, a tecnologia atual direciona-se para pensar e tomar decisões coletivas e proporciona, destarte, emergir decorrentes desafios éticos e morais. Muitos deles relacionam-se a simultaneidades ou não de locais e de momentos distribuídos no decorrer do processo de tomada de decisão.

Quantas vezes, bioamigo, já percebeu como solicitações de exames complementares, paradoxalmente, prejudicam o timing para a resolução clínica ao provocarem interrupções da dedicação do cérebro profissional ao paciente, não é mesmo? Inércias cerebrais acontecem nos retornos demorados.

Se por um lado o processo de captação de informações desde o paciente associou-se a maior confiança no indireto tecnológico pela superioridade dos ganhos informativos, por outro, a conexão cérebro-cérebro foi mobilizada para evitar indiferenças profissionais com o caráter humano da medicina causadas pelo cientificismo.

A valorização da voz ativa do paciente no processo de tomada de decisão na beira do leito, vale dizer a tolerância do profissional da saúde ao leigo, sustenta no âmbito da triangular conexão medicina-médico-paciente fluxos de emissão de vontades desde o cérebro do paciente para o cérebro do médico. O paciente não é tão somente um fornecedor de fatos e dados clínicos e laboratoriais a estimularem o cérebro do médico, mas estabelece interfaces diretas cérebro-cérebro por onde transitam desejos, preferências, objetivos e  valores.

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