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1338- Medico sapiens e Medico ciborgue (Parte 11)

Daí algumas indagações: Há certeza sobre os pretensos efeitos positivos acima de negativos, mais beneficência/não maleficência? Como se comportará a equidade quanto aos ganhos resolutivos em função de desigualdades de recursos econômicos? O respeito ao direito à autonomia do paciente, um ser dependente dos rumos evolutivos dos implantes, sofrerá ajustes pelo profissional “ampliado” pela inteligência artificial?

Afinal, após implantes, quaisquer suas naturezas, a responsabilidade evolutiva do médico sob forte aspecto deontológico ligado à manutenção do componente implantado cada vez mais sofisticado e irreversível, como fica perante eventual revogação do consentimento original que autorizou o implante? Evidentemente, é impossível um paciente-ciborgue retornar ao coração original após um transplante cardíaco, mas e se o paciente exigir a retirada de um cardioversor desfibrilador implantável (CDI)?  

Medico sapiens comporta-se, habitualmente, segundo sua formação pré-profissional, obtida na família, na escola, na sociedade, nas artes antes do ingresso na faculdade, ajustada ao que incorpora do biótico dos ambientes voltados para o exercício profissional. Agora, também do abiótico inteligente.

Há ainda incompletudes de previsão acerca de como é que um ser proporcionalmente menos biológico e mais tecnológico como o Medico ciborgue lidaria com a tríade que compõe a moral. Especificamente, com o conjunto prescritivo de valores e regras de ação propostas (código moral), com o direcionamento de atitudes por regras e valores (moralidade de comportamentos) e com as práticas em si (ética propriamente dita). Particularmente, no cenário da conexão medicina-médico-paciente da beira de leito, as incógnitas se agigantam. É circunstância onde não devemos aplicar a sabedoria para o cotidiano de Esquilo (525aC-456 aC): Conhecerás o futuro quando ele chegar, antes disso esquece-o.

Desde a segunda metade do século XX, um indicador da moralidade profissional é o cuidado do médico em dar ciência – em duplo sentido- ao paciente sobre a medicina que interessa para satisfazer às necessidades de saúde. Inclui o desenvolvimento de comunicação que clarifica objetivos, prós e contras da medicina e prognóstico para o leigo.

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