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1271- Medicina defensiva (Parte 2)

Foi a partir da transição do século XIX para o século XX que a tecnociência acelerou a capacidade de utilidade e eficácia de métodos diagnósticos, terapêuticos e preventivos. Mais recentemente, códigos e normas, deontologia e bioética facilitam instrumentar contextos de defesa da pessoa no âmbito da conexão médico-paciente, num alinhamento a direitos e deveres que consideram o potencial da ocorrência de formas de danos ao corpo, à mente, à imagem individual pelo exercício da medicina.

São do cotidiano os vaivéns de avaliação/prevenção/reversão sobre efeitos adversos de métodos tecnocientíficos, decorrências emocionais de más notícias, atenção ao sigilo médico, caprichos quanto a interpretações mais explicitas ou mais ocultas sobre competência profissional. Ineficiências, intercorrências e sequelas são ameaças de significação de imperícia jamais menosprezáveis.

Ciência, confiança e competência são o trio de C sustentadores da defesa do médico. Tecnologia, temor e  tribunal são o trio de T que suscita a medicina defensiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se a continuada consideração de defesa biológica e moral pelo médico ao paciente e também profissional para consigo é imperiosa, soa bem, o mesmo não ocorre a respeito do que se convencionou chamar de medicina defensiva. Ela nasceu e se desenvolveu congenitamente contaminada por realidades de desperdício associadas a desarmonias entre função de médico e interesses do paciente.

É notório que os médicos de alguma maneira persistem compelidos a exercer a medicina defensiva em maior ou menor escala atavicamente sensíveis à designação da medicina como ciência da incerteza e arte da probabilidade.

A Bioética da Beira do leito percebe certa analogia da medicina defensiva com entendimentos psicanalíticos sobre mecanismos de defesa, os processos psíquicos que aliviam o ego de um estado de tensão psíquica por um superego extremamente atento e sensível a pensamentos do tipo “serei processado se” que precisam ser reprimidos e longe de ficarem inertes, promovem “sintomas” de apego excessivo a reconfirmações sobre os acontecimentos.

A medicina defensiva traz conotações de desalinhamentos entre necessidades, objetivos e competências imbricadas numa cultura ampliada de defesa profissional onde sobressai a sensação de conforto perante um leque de possibilidades teóricas de interpretação de má-prática. As calibragens abrangem as variações de um barômetro, desde “tempestuoso” até “tempo bom” pegando carona num conto de Charles Dickens (1812-1870), contudo numa ansiedade de antevisão sobre culpas a serem representadas, por exemplo, num tribunal ético. Rela ao obsessivo, compreende pensamentos, imagens mentais que impulsionam extensões polêmicas de atuação visando a uma máxima superposição de evidências. A pluralidade, a diversidade, a reconfirmação  como pretensas garantias de certeza/perfeição/boa prática.

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