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PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1226- Trans e pós-humanismo na beira do leito. Uma leitura com o apoio da Bioética (Parte 27)

XI

O profissional da saúde atua segundo um viés transumanista?

Nada é mais vigoroso que o hábito, Ovídio (43aC-17)

 

Bioamigo, antes de você responder à questão do subtítulo, reflita sobre as 12 questões a seguir:

  1. O seu cotidiano profissional respeita a diversidade e rejeita dominâncias nas inter-relações? 
  2. O seu cotidiano interessa-se por usar a memória profissional para repensar o futuro?
  3. O seu cotidiano profissional preocupa-se com a longevidade do paciente?
  4. A tecnociência tem sido instrumento para uma ativa participação profissional na evolução clínica e decorrente  superações de limitações e contingências clínicas, assim nutrindo uma disposição do paciente para “viver plenamente para sempre”?
  5. Você está sempre disposto a incorporar novidades beneficentes em suas condutas profissionais?
  6. Você está convencido que o controle de vulnerabilidades individuais físicas e mentais impacta positivamente no prognóstico preventivo/terapêutico?
  7. Você entende que a aplicação da tecnociência lhe possibilita desafiar seus limites profissionais?
  8. Você é a favor da pesquisa para incorporações artificiais no corpo humano visando reverter perdas de função por doença?
  9. Você é a favor da pesquisa para manipulações pré-natais visando evitar doenças?
  10. Você é a favor da pesquisa para manipulações pré-natais visando aperfeiçoamentos cognitivos do ser humano?
  11. Você aceita que como profissional motivado à excelência tem um dever moral com o apoio às infinitas possibilidades de evolução do ser humano e ao alinhamento com novos valores em feedback com o desenvolvimento da tecnociência?
  12. Você crê que os efeitos transformadores do artificial no ser humano são conciliáveis com a persistência da espiritualidade humana?

A Bioética da Beira do leito responde afirmativamente. Imagina bioamigo, por exemplo, a escola de Realismo social de Sir Samuel Luke Fildes tendo produzido uma série de pinturas análogas a The Doctor em diversas épocas. Teria havido um documentário sobre uma cada vez mais efetiva influência da medicina sobre a doença e, assim expressasse médicos com sentimentos cada vez menos negativos.

De certa forma, o ecossistema da beira do leito contemporânea permite uma visão positiva da medicina – e das ciências da saúde em geral- apesar da preocupação com os impactos destrutivos do ser humano sobre a Terra e que sustentam a ideia de chamar nosso período geológico como Antropoceno. Caso se aventurasse a expressar o humanismo rumo ao pós-humano, Sir Samuel Luke Fildes poderia captar inspiração em Clark Kent/Super-homem (criação de Jerry Siegel, 1914-1996 e Joseph Shuster, 1914-1992) ou na princesa Diana de Themyscira/Mulher maravilha (criação de William Moulton Marston,  1893-1947)  e sua esposa Elizabeth Holloway Marston, 1893-1993).

A noção de transumanismo embute, na conexão médico-paciente, a abertura para novas formas de pensar e de representar com alinhamento transdisciplinar, libertadoras de dogmas e de rigidez de pré-conceitos e com foco no desdobramento das complexidades. Estimula o profissional da saúde a praticar não apenas a prescrição de modo “frio” do estabelecido no livro/diretriz clínica, mas, significativamente, “capacitar-se a se esquentar” pela disposição à flexibilização e à conciliação, sempre que for preciso para a prática ética, contornar o que possa estar sendo sentido como ameaça a direitos e a deveres associados.

Em outras palavras, no ecossistema da beira do leito, vieses transumanistas referem-se ao desenvolvimento de relações inteligentes, desinibidas, às vezes transgressoras – mas não dispensando molduras de contensão ética/moral/legal- e com apoio da tecnociência nas infinitas, inevitáveis e muito humanas interfaces entre beneficência (conhecimento) e autonomia (valores). O transumanismo modela o exercício profissional não somente com as questões biológicas da finitude da vida, mas também com mortes e nascimentos de disponibilidade de ferramentas clínicas, vigência de códigos e uso de linguagem-jargão.

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