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1213- Trans e pós-humanismo na beira do leito. Uma leitura com o apoio da Bioética (Parte 14)

De fato, a cada avanço no sentido da perfeição na saúde, eclodem outros aspectos como os ligados à justiça social e ao cumprimento das novas disposições. O não-consentimento pelo paciente contemporâneo à beneficência tecnocientífica é uma realidade da beira do leito ilustrativa do risco da associação entre benefícios disponibilizados e percepções leigas como abusos e efeitos indesejados- basta relembrar reações negativas de pacientes a leituras de bulas de fármacos com extensas relações de adversidades. 

Uma forte expressão do Antropoceno é a medicalização da vida que já atinge um nível molecular que não permite esquecer que o progresso científico na saúde induz modificações “não alopáticas” ao ser humano, influencia temperamentos, estimula a hipocondria e cria expectativas de valor discutível.

Significa que mais do que a disponibilidade da tecnologia em si, os problemas mais relevantes estão nas mudanças de hábito que provocam. Ademais, demonstra como objetivos humanos de perfeição podem se guiar pelos desejos, atropelando a razão.

A presença da Bioética na saúde coopera para alertar que a aplicação de informações científicas para desvendar segredos e mistérios do corpo e da alma não pode dispensar apreciações de admissibilidades pela condição humana, e que esta por ser extremamente plural promove o contencioso na beira do leito e na beira do tribunal. Desestímulos pela Bioética a comportamentos e a usos por prescrições éticas/morais/legais não endossáveis evidenciam como o respeito a perspectivas de fato humana é útil para atenuar (não dá para eliminar) onipotência e narcisismo danoso. Testemunhei ambos na minha formação profissional e que consegui alocá-los no subtítulo maus exemplos do ensino superior graças à bagagem pré-profissional (família, colégio, leituras).

Anseios de sentimento e de pensamento pela aquisição de poderes superlativos fazem lembrar os pedagógicos significados da mitologia, com suas simbólicas concepções primitivas adquirindo atualidade tecnocientífica. Fazem repercutir, também, a coleção de super-heróis do século XX, seres poderosos, atarefados a serviço do bem, sem tempo – ou necessidade- para se preocuparem com a própria saúde. Mas, sempre tem um mas, incluem Pandora e sua danosa curiosidade, a kriptonita eliminadora de superpoderes e fazem lembrar, ainda, os bíblicos Sansão e Dalila, compondo um trio de alerta que posições geram contraposições.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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