3834

PUBLICAÇÕES DESDE 2014

1154 – Bioética e princípio da autonomia (Parte 3)

Na alimentação dos variados ingredientes do processo de tomada de decisão, há o livro textual, há a diretriz clínica orientadora, há o mundo real da beira do leito… e há Bioética que pretende o equilíbrio entre o interior do profissional da saúde e as sujeições externas.

Curiosamente – e boa notícia- todos os profissionais da saúde praticam cotidianamente a Bioética, embora muitos sem a conscientização de que se trata da mesma. Esta capilarização oculta, porque útil, deve servir de motivação para o interesse de todos por complementações mais elaboradas providas por Comitês de Bioética. Em especial, como segunda instância para torres de Babel de vozes da ciência e do ser humano no decorrer do processo de tomada de decisão na beira do leito.

As realizações na beira do leito comportam basicamente combinações de Recuperar o órgão doente, Preservar o órgão saudável e Não agravar morbidades. As chances são avaliadas no processo de tomada de decisão e efetivadas na utilização do decidido. A transformação da pressuposta utilidade em de fato útil no caso nem sempre ocorre conforme presumida e pode dar lugar ao inútil ou até mesmo ao prejudicial.

Razões das diferenças de obtenção de resultados incluem alcance beneficente/risco maleficente dos métodos, qualidade da aplicação profissional, individualidades do paciente, bem como elementos ligados à instituição de saúde e ao sistema de saúde. Considerando o Pentágono da beira do leito, são 26 combinações possíveis (10, 2 a 2, 10, 3 a 3, 5, 4 a 4,  e 1 com os 5) que em face às influentes presenças dos sentimentos, dos contextos e de determinantes sociais, requer da beira do leito forte atenção ao trinômio composto por clareza – que evita ambiguidades-, precisão – e não exatidão- e expertise – como cuidar do que se deve cuidar.     

A Bioética, entendida como um imperativo a ser aplicado em função de uma ansiedade ética provocada pelas diversidades de produção e de apreciação dos efeitos das ciências da saúde, tem forte interesse pelo que acontece no desenvolvimento dos processos de tomada de decisão na beira do leito. Auxilia o profissional da saúde a atuar tanto como  caçador-coletor de dados e fatos, quanto como empreendedor-transformador de condutas. Coopera para a harmonia entre pensar, sentir e atuar frente a questões intelectualizadas, para a sinergia entre o correto e o honrado uso da teoria e o humano, o gratificante e o frutífero emprego. Ajuda a distribuir a qualidade das decisões em:

a) científicas e necessárias;

b) científicas e desnecessárias;

c) não científicas.

Enfatiza o valor da transdisciplinaridade que  promove o diálogo sem objeções das origens e que vai além e através  das disciplinas, transcultural, conciliador entre ciência e tradição, sensível à arte, à literatura, à experiência espiritual. Enfim, a Bioética provê matérias-primas indispensáveis para a construção das pontes necessárias para ultrapassar abismos entre ciência e humanismo.

COMPARTILHE JÁ

Compartilhar no Facebook
Compartilhar no Twitter
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no Telegram
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no E-mail

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

POSTS SIMILARES

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts

fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts
set0 Posts
out0 Posts
nov0 Posts
dez0 Posts
jan0 Posts
fev0 Posts
mar0 Posts
abr0 Posts
maio0 Posts
jun0 Posts
jul0 Posts
ago0 Posts