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1122- Decisão Compartilhada (Parte 7)

A complexidade na medicina e nas ciências da saúde em geral expandiu-se no decorrer do século XX  na esteira do desenvolvimento da tecnociência. Com a multiplicação das disciplinas, surgiu a necessidade de amplo diálogo entre o maior número delas nas distintas circunstâncias. Algo como evitar uma Torre de Babel motivou interessar-se através e além das disciplinas, perpassando mais de um nível de realidade e em busca de novas organizações do conhecimento. 

A transdisciplinaridade possibilita que articulações atravessem e ultrapassem disciplinas num envolvimento que proporciona novos dados que se distanciam de um formalismo absoluto, sendo, pois, aberta a conciliações entre ciência, arte, literatura e espiritualidade.

Um dos pilares do pensamento transdisciplinar é a complexidade e como plexus significa dobras adapta-se ás muitas dobras que costumam ocorrer nos (a)casos da beira do leito contemporânea. A necessidade de desdobrar com fins diagnósticos, terapêuticos, prognósticos e preventivos encontra limitações para as simplificações facilitadoras do planejamento e da comunicação esclarecedora ao paciente.

É essencial que, em função da complexidade, haja uma visão integrada entre utilidade (potencialidade de benefício), inutilidade (impossibilidade) e prejudicial (malefício previsível) a fim de o paciente perceber claramente que o foco do planejamento é o método, evidentemente, a ser selecionado de acordo com a melhores perspectivas de sucesso no objetivo primário.

Outro pilar do pensamento transdisciplinar é a noção de Níveis simultâneos de realidade. O profissional da saúde está acostumado ao vaivém em nível psíquico entre passado e futuro.  Diante de um nível presente perceptível pelos órgãos dos sentidos de uma situação clínica do paciente, o médico ativa sua memória profissional e vale-se dela para construir imaginações sobre como aquela situação poderá evoluir, quer como história natural, quer pelo controle de uma conduta terapêutica. Esta movimentação psíquica se apresentada ao paciente facilita o desenvolvimento de uma decisão compartilhada.

Além da complexidade e de distintos níveis de realidade, a lógica do terceiro incluído compõe o trio dos pilares do pensamento transdisciplinar. Desde Aristóteles (384ac-322ac), predomina a lógica do terceiro excluído, ou seja um mesmo elemento não pode conter os distintos A e Não-A, pois a existência de um terceiro elemento A e Não-A representaria uma contradição. O conceito persiste válido, mas é insuficiente para a beira do leito contemporânea. Todo método quer diagnóstico, terapêutico ou preventivo inclui A ( beneficência) e Não-A (maleficência), ou seja, a beira do leito contemporânea subentende a lógica do Terceiro Incluído, inexiste contradição. O compartilhamento médico-paciente desta noção é essencial para a progressão do processo da Decisão Compartilhada.

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