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1112- Anjo bom, anjo mau (Parte 3)

Sabemos que existe a autonomia intrínseca em que o paciente decide sozinho sem nenhuma interferência – pouco frequente- e há a autonomia de relação em que o paciente é influenciado por circunstantes – a maioria. Nós profissionais da saúde somos circunstantes também, bioamigo, imprescindíveis porque tudo vai girar em torno dos aspectos tecnocientíficos. Somos de boa-fé, honestos, isentos de conflitos de interesse, portanto influenciadores respeitosos. Será que devemos apresentar nossa posição e, simplesmente, aguardar uma resposta, indiferentes a um leigo que pode estar pela primeira vez entrando em contato com as informações? Acostumamo-nos a comunicar sobre a dor e o sofrimento de modo a obter um Sim dado pela confiança nas providências reversivas, sem que representem violentar moralmente o paciente, usamos a tecnociência autorizada, não abusamos da vulnerabilidade do ser humano acentuada pela doença. Temos crédito de boa conduta. Evidentemente, não somos insensíveis a adaptações, mas não sejamos imprudentes em nome de um zelo idealizado.

Qual é a lição, bioamigo? Sejamos nós mesmos, evidentemente atentos e sensíveis a aspectos éticos, morais e legais,  mas, ao mesmo tempo,  sejamos comprometidos, sem chavões, sem pressupostos, com o nosso modo de enxergar a excelência profissional na beira do leito consciente que devemos ajudar no melhor da calibragem possível entre o definitivamente bom e o definitivamente mau para o caso em questão, ajudar  o paciente a reduzir as indeterminações entre o Sim, o Não e o Talvez.

Termino, citando Bruno Bettelheim (1903-1990), que apesar da controvertida biografia é autor do excelente The Uses of Enchantment. The Meaning and Importance of Fairy Tales (Psicanálisis de los cuentos de hadas em espanhol) onde enfatiza a necessidade do alcance da segurança emocional em meio a ambivalências e complexidades: Uma função importante dos contos de fada é fazer a criança entender o bom e o mau visto que os personagens ou são bons ou são maus.  As crianças não se identificam com o herói bom por sua bondade, nem porque a condição de herói atrai profunda e positivamente, eles reagem à pergunta Com quem desejo me parecer? E assim se projeta num personagem, inclusive o mau!  Ajuda a forjar os processos internos.

É fato bioamigo que o médico- e o profissional da saúde de modo geral- bem resolvido e competente tem muito a ajudar o paciente em seus processos internos de adaptação a suas necessidades de saúde, sem considerá-lo um incapacitado de tomar decisões. Paternalismo – o brando do médico não é incompatível com respeito ao direito à autonomia pelo paciente.

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