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1082- Considerações sobre beneficência (Parte 3)

Bioamigo, o que acontece é que a transferência da informação dos textos orientadores das diretrizes clínicas – repositórios das evidências científicas – para a beira do leito é procedimento humano. Por isso,  necessita passar por um processo de individualização – uma otimização no âmbito da conexão profissional da saúde-paciente com influências de familiar, instituição de saúde e sistema de saúde.

A Bioética da Beira do leito enfatiza o valor da adaptação individual ao possível dentre o entendido como ideal para as necessidades e expectativas de um paciente visto em geral. Em outras palavras, é essencial modelar pressupostos em função de uma integração particular entre beneficência, não maleficência e autonomia. Constitui preocupação continuada do profissionalismo na beira do leito.

A Bioética da Beira do leito enfatiza tudo que possa cooperar para a atenção às  necessidades de sequentes ajustes do profissionalismo à medicina contemporânea. É razão para evitar que uma semântica equivocada do termo paternalismo – o brando- comprometa o bom exercício profissional na beira do leito, mais especificamente sua demonização.

De fato, qualquer entendimento de inconveniência do paternalismo reside menos no que se pode entender por  profissionalismo e mais em abusos de poder, atuações de superioridade que o domínio da ciência tende a predispor.

Discussões sobre o paternalismo – o brando- na beira do leito são nutridas por contrapontos de visão sobre confiança irrestrita no médico versus desconfiança em seus valores e na competência para decisões; autonomia de decisão versus algum tipo de controle econômico ou sobre o uso da ciência; liberdade para escolher o melhor versus necessidade de prestar contas.

Acresce que o contexto clínico varia rapidamente no decorrer da situação clínica e provoca modificações na visão de moralidade na conduta, incluindo abandono moral. É perspectiva que, de certa forma, vai de encontro à radical visão de autonomia como hierarquicamente superior à beneficência. Não há dúvidas que estar doente acarreta prejuízos cognitivos, mas na maioria das vezes não faz preencher critérios de paciente não capacitado e não receptivo a ser mais esclarecido.

Em função da habitual variabilidade de contextos, modificações entre objetividades e subjetividades, calibragens entre risco e benefício, a Bioética da Beira do leito enfatiza que nas circunstâncias onde campeiam  indefinições sobre beneficência, o profissional da saúde deve ser bem claro ao paciente sobre as incertezas e ouvir a opinião do mesmo. Não há colisão entre o direito à autonomia – ou seja pode dizer Não- e o paternalismo – o brando-, ambos comungam  a preocupação em promover, o melhor equilíbrio entre respeito à pessoa do paciente e beneficência cogitável.

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