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1063- Pensamento crítico na beira do leito

Mãe, o doutor está sempre pensando, o que é que ele tanto pensa dito por uma criança com cardiopatia num momento em que eu me organizava mentalmente para comunicar  sobre prós e contras da intervenção terapêutica, de imediato, despertou-me para o significado da imagem reconhecida e… me fez pensar… mais.

Após engajar-me na militância da Bioética, a memória da cena reavivou e pensar sobre o pensamento na beira do leito tornou-se um ponto de interesse recorrente, entreguei-me com forte sentimento, uma expansão do tradicional raciocínio clínico ajustado à contemporaneidade da conexão profissional da saúde-sociedade.

Aprendi o valor do pensamento crítico. O enlevo com o profissionalismo implica em frequentes momentos de ponderações a respeito de rigidezes, desvios de conceitos, vieses e caminhos prejudiciais. O hábito do pensamento crítico é útil porque promove qualidade intelectual pelo domínio dos mecanismos do pensamento. Em outras palavras, o pensamento crítico é fator de excelência profissional na medida em que coopera para desejáveis comandos de autodisciplina, autovigilância e autocorreção pelos exercícios da consciência.

Em termos práticos, no cotidiano da beira do leito, o profissional da saúde aplica o pensamento dito de primeira ordem, que vem à mente de modo espontâneo, não reflexivo, especialmente impulsionado pela experiência incorporada. Todavia, dada à diversidade dos (a)casos clínicos, o pensamento bate-pronto sujeita-se a equívocos – podemos jogar a bola fora do estádio. Por isso, torna-se imperiosa a prática do pensamento dito de segunda ordem, aquele realizado num nível bem consciente, passo a passo e com capacidade para reanalisar, reavaliar e reajustar.  A Bioética da Beira do leito enfatiza o quanto é vantajoso o compromisso com a interrogação do conhecimento sobre seus próprios limites ou impasses provocados na beira do leito.

A adesão ao pensamento crítico na beira do leito ganha projeção ética quando o profissional da saúde de modo responsável conjuga pensamentos sobre si próprio com pensamentos captados do paciente. A força crítica da mescla tem variações – mas num patamar alto -pela classificação dos pensamentos aflorados e afloráveis como idealistas, realistas ou pragmáticos que facilita seleção e integração mais ajustadas às circunstâncias.

A Bioética da Beira do leito entende que a ideia de uma mente justa na beira do leito de tanta complexidade indutora de desajustes é essencial para reduzir escapes dos compromissos profissionais com uma lista de tradicionais conformidades intelectuais de conduta na beira do leito que inclui: integridade, perseverança, humildade e empatia.pensar

A integridade intelectual do profissional da saúde significa que ele reconhece o valor do rigor com a verdade, a evidência e a honestidade, que despreza qualquer tendência à hipocrisia do pensamento egocêntrico (que desconsidera o do outro) e que se afasta da contradição do pensar uma coisa e dizer o contrário para o paciente.

A perseverança intelectual do profissional da saúde que se dispõe a lidar com as eventuais decepções e ímpetos de desistência imediata causadas pelas complexidades por meio da adesão profissional a princípios que sustentam a continuidade, significa batalhar pela efetiva atenção às necessidades de saúde do paciente.

A humildade intelectual do profissional da saúde que bem conhece os limites da sua competência, afasta-o do sei muito e profundo apesar de saber somente um pouco e superficial, e  assim possibilita não somente desvencilhar-se da arrogância sem sentir como fraqueza, como também motivar-se à busca do preenchimento das lacunas.

A empatia intelectual do profissional da saúde que o coloca no lugar do paciente apoia-o a distanciar-se de um comportamento centralizador de que resulta melhor compreendê-lo a respeito de situações e contextos, numa perspectiva de boa fé  que promove reajustes cabíveis.

Mente justa na beira do leito significa interdependência dos atributos intelectuais, primordial para a excelência para o pensamento crítico porque constantemente o reexamina acerca da evitação do egocentrismo, das necessidades de flexibilizações e das possibilidades de reconsiderações.

A Bioética da Beira do leito enfatiza que a permanente intenção do profissional da saúde para preservar a mente pensante justa perante a roda viva dos desafios da beira do leito é compromisso ético com uma plataforma consistente com a excelência do profissionalismo.

Bioamigo, recordemos Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832): Todos pensamentos verdadeiramente sábios já foram pensados milhares de vezes; para apossarmo-nos como também nossos devemos repassá-los com honestidade até que o repensar repetido enraíze-se na nossa experiência pessoal.

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