As verdades da beira do leito – onde cabem a tríade generalidade, exterioridade e coercitividade de inspiração em David Émile Durkheim (1858-1917)-, devem ser manejadas em contextos políticos. Dwight David Eisenhower (1890-1969) complementa: cada cidadão deveria exercer política em tempo parcial ao lado da sua profissão a fim de proteger direitos e preservar o bem. A socialização/humanização como reação num plataforma política contribui para dar clareza aos loopings das conexões e reconexões profissional da saúde-paciente.
Hannah Arendt (1906-1975) nos ensinou que política fundamenta-se na diversidade do espaço que existe entre os seres humanos e enraíza-se em pressupostos de liberdade e espontaneidade. Em suma, o sentido da política é trabalhar para que semelhantes, mas não iguais, convivam com suas particularidades e conflitos isentos de um cenário de desordem social. Encaixa na beira do leito.
Bioamigo, porque a beira do leito admite conotação política, a Bioética, conceituada como ética aplicada aos assuntos plurais da vida e da saúde, admite o empenho para evitar desvios do sentido da política atrelado à liberdade.
Uma missão do profissional da saúde na beira do leito é, pois, cooperar para o exercício da tolerância a posições, contraposições e recomposições face ao tecnocientífico. A Bioética da Beira do leito colabora para a compreensão dos entrecruzamentos do acervo multifacetado da tecnociência, articulação que facilita enxergá-los, aplicá-los e recebê-los como verdades na beira do leito.
Recentemente, a explosão do termo fake news na sociedade na esteira das redes sociais trouxe a conscientização sobre o uso e os efeitos da falsidade deliberada, aquela com frieza para ocultar e reconstruir.
Verdade ou mentira eis a questão alertou para a responsabilidade com a atividade interpretativa. É desejável um não à inflexibilidade acrítica, o que em nome da alteridade tornou-se imprescindível para a evitação de reducionismos e superficialidades que mancham a integridade intelectual. Vale, pois, insistir no uso do filtro mental representado pelo pensamento de inspiração na física quântica do prêmio Nobel em Física 1922 Niels Bohr (1885-1962): o contrário de uma verdade admitida como incontestável pode muito bem ser outra verdade profunda.
A lição para a beira do leito que convive com abundância de possibilidades cogitáveis na teoria – até o niilismo- e restrições de efetivas possibilidades na prática é que apreciações visivelmente contraditórias precisam, sempre que possível, receber um crédito de conciliação, uma servindo de complemento à outra no processo ético de tomada de decisão.
A Bioética pode ajudar a lidar com a as instabilidades de pensamentos que podem advir, anversos e reversos, transitoriedades e permanências sobre aceitações e rejeições a realidades. Bom para a beira do leito!
