Enquete 247- Um espírito não olímpico pairando sobre as águas da Guanabara

oliDe repente, o Brasil ganhou destaque na comunidade científica internacional. A ocorrência de uma epidemia em conjunto com a observação de uma síndrome congênita associadas a um ineditismo virótico não podem deixar de provocar manifestações de vários tipos.

Uma delas é a proposição do isolamento das pessoas, que elas não deem chance de serem picadas pelo mosquito infectado com o vírus Zika.

Prevalência da prudência ligada ao receio de ficar doente, o que representa  potente agente inibidor de movimentos desejados.

Incertezas determinam a evitação do perigo como a escolha de bom senso e ponto final. Algo como proíbo-me, logo existo (continuo existindo).

Um movimento influenciável pela situação atual relacionada ao vírus Zika é uma viagem, não importa para que distância.

Para muitos, nem sair de casa já preenche critérios  de cautela. Adaptando o início de Anna Karenina de Lev Nikolayevich Tolstoi (1828-1910): Todas as isenções de picada do Aedes aegypii são bem-vindas, cada picada provoca peculiaridades ao seu modo.

Particularmente, considerações sobre uma viagem para o Brasil adquiriram tons da Medicina preventiva.  Alguns já aceleraram o calendário e já vivenciam as Olimpíadas da Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil. Os desencantos existem, todavia, mais um agora, pairando sobre a Guanabara. Os braços abertos sobre a Guanabara do samba do avião de Tom Jobim (1927-1994) transformando-se em asas abertas de um mosquito nada redentor.

O lema das Olimpíadas modernas O importante não é vencer, é competir com dignidade está sendo posta em xeque em função das “notícias que chegam do Brazil” na velocidade mais acentuada que costuma acompanhar as más notícias.

Um dos profetas do pessimismo – ou seria realismo?- é o respeitado professor Arthur Caplan da Division of Medical Ethics at New York University Langone Medical Center- o mesmo que defende que a modificação genética de embriões humanos deve ser liberada porque estará sendo inevitavelmente usada, mais cedo ou mais tarde, para livrar o recém-nato de doenças hereditárias como Anemia Falciforme, Hemofilia, Diabetes, Fibrose Cística e doença de Tay-Sachs, entre outras.

Transcrevo a sua recente proposta sobre 2016 Rio Olympics: “… Devemos adiar as Olimpíadas por 6 a 9 meses. Teríamos um teste diagnóstico (para Zika) o que beneficiaria, inclusive, a segurança da transfusão de sangue, saberíamos melhor por quanto tempo o vírus persiste no infectado e sobre a transmissão sexual. Talvez já teríamos uma vacina. Assim, porque as comunidades médicas e de saúde pública não adotam a ideia que as Olimpíadas Rio Verão 2016 devem ser adiadas?…”  http://www.medscape.com/viewarticle/858730.  

Esta nítida visão de turista – desculpemos o lapso em relação à estação do ano- associa-se a uma sempre presente preocupação com business, razão provável da recente fala do Prefeito  Eduardo da Costa Paes (nascido em 1969); “… Há exagero sobre zika, morre mais gente de gripe… A doença deve ser combatida, mas não é tema olímpico…” http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/noticia/2016/02/prefeito-do-rio-diz-que-zika-nao-e-tema-olimpico.html.

O brasileiro deve ser receptivo à opinião estrangeira sobre adiamento das Olímpíadas 2016 em função da infecção pelo vírus Zika?

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