295- Bioética e Hebiatria

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Crédito: http://neuropsicopedagogiaemfoco.blogspot.com.br/2011/07/hebiatra-o-medico-dos-adolescentes-nem.html

Adolescência. Tão simples quanto o período de transição entre a infância e a vida adulta. Tão complexa quanto a busca da maturidade. Pelas peculiaridades, desenvolve-se a Hebiatria, como a parte da Medicina que se interessa pela assistência, ensino e pesquisa sobre a adolescência.

A Resolução CFM Nº 2.149/2016 não individualiza a hebiatria nem como especialidade médica nem como área de atuação médica. Assim, a hebiatria deve ser considerada um ramo da pediatria que cuida do adolescente.

O Estatuto da Criança e do Adolescente brasileiro, lançado  em 1991, admite a adolescência na faixa etária de 12-18 anos. Na literatura médica, há menções a outras idades, desde o início aos 10 anos e o término aos 22 anos.

Assim, a hebiatria envolve-se fundamentalmente com a segunda década de vida, período onde a puberdade se inicia e com ela o desenvolvimento  de interesses e de atitudes,  maturação sexual e  prática de tomada de decisões dentro de um andamento de ordem  psicológica e social.

A palavra hebiatria origina-se em Hebe, a deusa grega da juventude, do “congelamento” que evitaria o envelhecimento, do rejuvenescimento por todos almejado.

O médico de qualquer especialidade que atende um adolescente necessita ter certas noções repercutidas no âmbito da hebiatria, como o lidar com a busca da identidade, com a projeção social e intelectual, com uma série de atritos e de contradições.

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Crédito: http://foelkelpsicologia.blogspot.com.br/2013/03/adolescencia.html

Um dos aspectos conflituosos na esteira da dependência familiar/auto-suficiência diz respeito a evidências sobre a capacidade de os adolescentes emitirem consentimento sobre opções de conduta terapêutica como via final de processos de tomada de decisão acerca de suas necessidades de saúde – mais simples ou mais complexas. O médico está diante de um menor de idade, de um incapaz legalmente, de um dependente econômico da família, de um inexperiente no manejo de efeitos mórbidos da doença e necessita considerar o grau de entendimento do adolescente sobre consequências para si e para circunstantes, familiares ou não, e  seus desejos, preferências, valores e objetivos, nem sempre vistos com clareza.

O entendimento  de uma relação médico-paciente adaptada à participação de responsável legal passa pela noção que mais do que direitos sobre a vida dos filhos, os pais têm responsabilidades com a saúde dos mesmos. O ideal é que haja a conciliação entre os pressupostos acerca de benefício e de malefício pelas ópticas do médico, do adolescente e do familiar responsável numa visão global de melhor atendimento na circunstância.

Perante um ambiente que reúne expressões de empoderamento do adolescente como agente moral, seus temores pela sensação de vivência num labirinto e suas dúvidas quanto à real exploração de opções, uma comunicação sincera e esclarecedora entre as partes envolvidas, um nível justo de tolerância em relação a validações técnico-científicas eticamente aplicáveis e uma harmonia familiar favorecedora do diálogo entre experiência e inexperiência reativas a má notícias são ingredientes para uma tomada de decisão mais próxima da utilidade e da eficácia.

No processo de integração dos pensamentos, a Bioética pode municiar a inter-relação com sua caixa de ferramentas ajustáveis à pluralidade de atitudes e, assim viabilizar aquela volta a mais no parafuso colaborativo que aproxima e integra, que contribui não somente para aparar arestas, como também para evitar a inclusão de mais um componente, a judicialização, no desenvolvimento da tomada de decisão.

O quadro relaciona itens relevantes para a progressão de uma tomada de decisão numa relação médico-adolescente-familiar responsável.

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 Muito embora, indesejada, uma necessidade de atenção à saúde concorre para o crescimento pessoal,  o que carrega um significado especial na adolescência. Uma visão do mais adequado equilíbrio entre o poder individual e o inserido na família do adolescente, afinada com uma apreciação hebiátrica moderna sensível a aspectos étnicos e culturais e respeitosa a princípios éticos e disposições legais deve sustentar a apreciação sobre o posicionamento de consentimento – ou não à  recomendação médica.

A Bioética da Beira do leito é fórum para reflexões sobre os conflitos determinados pelas contraposições habituais provocadas pela atenção integrada à Beneficência, à Segurança e à Autonomia nas inter-relações previstas no Pentágono da Beira do leito.

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