268- Uma força para a boa imagem do médico

noticiasDuas manchetes ligadas à má prática da Medicina no prazo de oito dias causaram tristeza. Fizeram  com que sentíssemos ainda mais vulneráveis à corrupção. As apurações pela Justiça deverão separar algum joio do trigo, mas tudo indica que será difícil que alguns médicos citados não restem na parte de maior interesse de condenação.

Péssimo para a imagem do médico brasileiro. São arranhões sangrentos à imagem de uma profissão que cuida para evitar danos previsíveis, expõe um calcanhar de Aquiles que pertence tão-somente a eticopatas e faz mentalizar a figura de Narciso. Impressionante a riqueza da mitologia, deuses, semi-deuses e personagens redivivos para tentar achar explicações para o obscuro!

O termo narcisismo não tem boa reputação. Todavia, Erich Fromm (1900-1980) nos ensinou que uma cota de narcismo é benéfica. O narcisismo dito benigno é apropriado para usufruir de uma imagem positiva da própria e real capacidade de ser humano útil, profissionalmente, por exemplo, e que estimula a prosseguir no rumo de objetivos apesar das pedras no caminho.

Apontar falhas de médicos é reconhecer que elas deveriam ser eliminadas, não importa o tipo de dificuldade subjacente. Ao lado da crítica construtiva está a sincera preocupação permanente do médico. Conhecendo o ofício, ele entende que há a condição humana causal diretamente envolvida no atendimento e a de influência indireta- responsáveis pelo sistema de saúde. E que faz importante lembrar que uma parcela do atribuído à falha humana depende das imperfeições dos métodos validados, recomendados e consentidos aplicados com o máximo de zelo.

Não faltam empecilhos espalhados nos rumos do binômio médico-Medicina. As entidades de classe conhecem-nas bem e se deparam com novas frequentemente. Lutam, ganham, perdem , continuam a lutar. A alocação de recursos é tema recorrente, mas que não pode abafar malversações indesculpáveis e desperdícios por incompetência.

Mesmo em ambientes desfavoráveis, a fluidez dos atendimentos pode ser melhorada. Ferramenta historicamente vantajosa é a valorização narcisística benigna do médico energizada pela força da ética e pela criatividade responsável que ajuda a enfrentar e a vencer certo percentual de obstáculos do cotidiano da beira do leito.

O valor da Medicina nunca deixará de passar pela atuação do médico. É da tradição e acentuado pelos desdobramentos de infra-estrutura determinados pelo progresso acelerado o continuum de esclarecimentos à sociedade acerca da realidade que os médicos dependem de muito mais do que conhecer a prescrição de pílulas e o manejo do bisturi para aplicar a Medicina que almejam. Reverter rótulos apostos com a cola do desrespeito e da intolerância é tarefa  que não admite indiferença de todos que possuem um número ativo de CRM (cerca de 1 em 400 -0,25% -brasileiros).

Cada atuação ética do médico é contribuição em prol da boa imagem do médico. Na verdade, desenvolve-se um verdadeiro trabalho de Sísifo, em âmbito coletivo, pois deslises de poucos são capazes de comprometer as ascensões de muitos. Acrescer um grão não é sacrificado e é recompensador. Aliás, neste sentido, uma história do xadrez contada por Malba Tahan (Julio Cesar de Mello e Souza, 1895-1974) no livro O Homem que calculava dá a dimensão (Quadro).

xadrez

Ademais, lembremos de quatro frases sobre uma Medicina que não existe mais que ficaram para História e, portanto, à disposição dos descontentes. Lê-las pode mexer com os brios e provocar algum movimento dos médicos menos sensibilizados (Quadro).

frases

O princípio fundamental IV do Código de Ética Médica vigente é estímulo oficial: Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Medicina, bem como pelo prestígio e bom conceito da profissão.

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