Enquete 527- Ambulatório para cuidar da moralidade

Pesquisas avaliam os efeitos de drogas, técnicas cirúrgicas e estimulação neurológica sobre a moral de uma pessoa. Muitos críticos avaliam como uma experimentação social altamente perigosa. Uma promoção de confiança poderia se acompanhar de etnocentrismo, favoritismo e paroquialismo.

Deve a ciência ser usada para manipular a moralidade dos comportamentos em relação a regras e a valores?

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377- Acerca da Bioética da Beira do leito

Parte do publicado na Revista da Associação Médica Brasileira  Rev. Assoc. Med. Bras. vol.56 no.6 São Paulo  2010.

O leito é ponto de encontro clássico entre o paciente que o ocupa necessitado da medicina e o médico que o assiste, à sua beira, investido da autoridade advinda como representante local da medicina universal.

O simbolismo da beira do leito transcende às verdades do conhecimento científico, ele realça a sequência histórica das boas práticas médicas. Por isso, há grande valor nas atitudes de “anfitrião” e de ” hóspede” com aderência interpessoal a evidências validadas.

O sentido não literal  da beira do leito abriga a competência do profissionalismo que associa racionalidade, competência, cuidar e compaixão. É nele onde se desenha o retrato falado da clínica como fiel expressão do que acontece além da fria objetividade dos métodos da medicina. É nele onde se valoriza o senso individual de qualidade de vida. É nele onde o raciocínio fisiopatológico dialoga com valores, expectativas e interesses do paciente.

O conceito que mais do que casos clínicos, a beira do leito lida com acasos clínicos por combinações infinitas de modalidade e intensidade de morbidades(2) abrange a variedade de interpretações pessoais envolvidas na relação médico-paciente. O exame do que ocorre com o corpo do paciente inclui o exame psicossocial. O processo de tomada de decisão suscita alinhamento do saber acumulado com expressões humanas da circunstância clínica analisada à beira do leito.

É pela beira do leito que o médico mede a extensão do distanciamento entre um padrão bibliográfico da medicina aplicável e a individualidade biográfica receptora do paciente/responsável/familiar. Utilidade e eficácia precisam tornar-se úteis e eficientes. É neste espaço que se aprende que o desnível de conhecimento médico-paciente não autoriza posturas rígidas de “dono da razão” ou de “tutela de domínio”. A sociedade aprende com os próprios médicos, percebe que doenças avançam e que sucessos terapêuticos têm limitações. Os pacientes têm direitos e cada um pode exercê-los ou, de modo simples, por uma postura “o que o médico decidir está bem decidido”, ou, de modo mais plural, personalizando ajustes e negações a controles do avanço mórbido e a habilitações em prol de bom-sucesso.

A Bioética da beira do leito enfatiza que atitude médico-dependente é mais do que atitude medicina-dependente. Distinguir a diferença contribui para dar legitimidade a pactos médico-pacientes, além de estimular o desenvolvimento de modelos de gestão da beira do leito que visem, por meio de uma vigilância contínua sobre atitudes, reduzir os conflitos na interação médico-paciente.

Enquete 521- Faça como eu digo não como eu faço

Há uma linha de pensamento que enxerga o ponto de vista que médico não pode ter objeção de consciência religiosa como utilitarista, melhor consequencialista,  porque a justificativa está centrada nas consequências das ações. Paciente Testemunha de Jeová não aceita por motivos religiosos a transfusão de sangue mesmo se a recusa significa risco iminente de morte.

Suponha um médico brasileiro sem chance de encaminhamento do caso para outro colega no cenário 1: ele recusa-se a praticar um aborto legal. Agora no cenário 2: ele prescreve transfusão de sangue para paciente Testemunha de Jeová com grave hemorragia pós-parto por ele realizado causada por atonia uterina. No cenário 1, a consequência do não fazer pela objeção do médico será uma vida, no cenário 2 pela objeção da paciente será uma morte.

Não sua opinião teria havido incoerência por parte do médico nas duas atitudes?

  • Sim, ele exigiu respeito a sua religiosidade mas não respeitou a da paciente (0%, 0 Votes)
  • Não, houve zelo pela vida e pela evitação da morte (0%, 0 Votes)

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Enquete 520- Como médico uma consciência, como cidadão outra?

A credibilidade de um artigo científico passa pela qualidade editorial da publicação, o New England Journal of Medicine, por exemplo, tem alto fator de impacto próximo de 60. A ideia de filtro qualificado acadêmico a respeito de pesquisas clínicas transmite-se para textos opinativos.  Entretanto, enquanto a conclusão de uma pesquisa poderia ser contestada pela análise dos métodos, uma oposição a conclusão de ponto de vista fica no terreno das ideias, dos códigos éticos e das leis.

Recentemente, usuários do New England Journal of Medicine puderam  ler  o que resumo: Tornar-se médico é assumir a obrigação de colocar em primeiro lugar o bem-estar e os direitos do paciente e assim não pode dizer-se impedido de alguma prática por objeção religiosa de consciência, ou escolhe uma especialidade que não leve a conflito moral ou desiste da profissão.

O recado subentende questões relacionadas ao aborto, portanto pouco aplicável no Brasil de hoje, onde, contudo, há aspectos ligados ao sistema de saúde que podem gerar dúvidas na consciência do médico.

Em tese, o médico tem direito a objeção de consciência religiosa ou não?

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