Enquete 508- Autonomia, paternalismo fraco e segunda primeira opinião

O princípio da autonomia é marcado na beira do leito pelo consentimento ou não consentimento pelo paciente. De um modo reducionista, pode-se considerar que um não do paciente encerra a proposição do médico pela ausência de autorização.

A prática ensina que um não consentimento do paciente pode representar um momento não final no processo de tomada de decisão, ser a manifestação de um conflito, passível de reversão por  atitudes de empatia com o paciente, preenchimento sobre lacunas de conhecimento e uso de comunicação acolhedora.

Um segundo tempo de esclarecimentos visando as preferências, os desejos, os valores e os objetivos do paciente tem a possibilidade de, sem prejuízo da espontaneidade, elevar o nível de compreensão mútua e de sustentar ajustes, determinando uma real segunda primeira opinião com maior chance de manifestação pelo  consentimento.

Por isso, a autonomia não deve ser vista exatamente como um antônimo de paternalismo em sua variante fraca que objetiva harmonia propositiva na relação médico-paciente. Ambas podem caminhar juntas em movimentos de idas-e-vindas pretendendo a mais adequada relação benefício/adversidade para a circunstância clínica.

Na sua opinião, intencionar transformar um não consentido em resposta afirmativa do paciente é dever do médico?

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Enquete 507- Envelhecimento do bom médico não se assemelha ao do bom vinho

Estudos identificam que o passar dos anos de prática da Medicina provoca tendência a quedas do conhecimento, da adesão a padrões de cuidados baseados em evidências e do sucesso obtido pelos pacientes e a elevações nos níveis de compaixão e de resiliência perante estresses profissionais http://annals.org/aim/article/718215/systematic-review-relationship-between-clinical-experience-quality-health-care.

Evidentemente, este comportamento não ocorre de modo obrigatório, mas grande parte dos médicos não percebe as modificações ligadas ao avanço da idade e magoa-se com observações neste sentido feitas por colegas. 

Na sua opinião este comportamento evolutivo é comum entre os médicos brasileiros?

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376- Novo pensamento ético para transplante visando melhor qualidade de vida

Não faz muito tempo, o ser humano nascia com o genetica ou congenitamente determinado  por circunstâncias da fecundação e do desenvolvimento intra-uterino e morria em função de grave insuficiência de certos órgãos do corpo. Hoje, assim acontece também, mas acrescentou-se um não necessariamente.

Prevenções por aconselhamentos ao casal e vacinas- como contra rubéola-, intervenções pré-natal além de transplantes de órgãos como coração e fígado inovaram favorecendo a eclosão do não necessariamente.

Atualmente, a engenharia genética pretende “entrega de encomendas” e transplantes trilham o novo caminho não da sobrevida mas da qualidade de vida.

A diferença de justificativa entre transplantar para não morrer em curto prazo e transplantar para obter uma vida mais qualificada inclui uma distinção da relação risco/benefício e, em decorrência, a necessidade de ajustes no pensamento ético.

Ambas situações têm chances de benefício graças aos conhecimentos, habilidades, métodos e recursos de infra-estrutura. todavia a grandeza de riscos é expressiva. Enquanto que a luta pela sobrevida pode ser entendida como última esperança onde qualquer tipo de risco é contrabalançado pelo desejo da manutenção da vida, a aspiração conceitualmente válida de ganhar qualidade de vida na recuperação da função de mão, laringe ou face ou por passar a ter um útero capaz da maternidade caso mal sucedida pode ter graves repercussões clínicas, sem tocar em consequências da interferência na imunidade do receptor.

A Bioética interessa-se por esta  expressão de autonomia do paciente que na busca da felicidade pode associar uma superestimação do êxito técnico e do impacto na qualidade de vida com uma banalização de riscos com expressivo potencial de se tornarem realidades.

375- Conexão via aplicativo entre meu médico e meu paciente

O progresso biotecnológico tende a distanciar o médico do paciente. A inovação da tecnologia de comunicação interpessoal aproxima. Considerando que tecnologia é benéfica, é importante analisar o quanto de distanciamento e de aproximação de fato acontece e deve ser evitado em nome da Ética.

Pontos de referência são a relação médico-paciente presencial que admite os espaço íntimo do exame físico e do procedimento invasivo e o espaço pessoal da anamnese e mais diálogos e a não presencial que sem limites geográficos incorporou o telefone como meio de conexão à distância entre o médico e o paciente.

A Bioética desenvolveu-se no século XX com a preocupação dos efeitos nocivos das novidades da tecnologia na relação médico-paciente. O pensamento dominante neste contexto era que avanços de recursos diagnósticos e terapêuticos aplicados em nome do benefício continham efeitos desumanizadores em escalas variáveis.

Acontece que esta visão de intromissão indevida não se materializa de uma maneira absoluta. O bom uso da biotecnologia comprovou-se útil e eficaz, inseriu-se na eticidade da prudência e do zelo e soa desejável para atender a objetivos compartilhados por médico e paciente. Riscos em potencial ligados à biotecnologia justificam realidades de benefícios mais frequentes e inéditas. Na chamada fase de mercado, aperfeiçoamentos técnicos  em feedback como os resultados e curvas de aprendizado na aplicação aperfeiçoam e minimizam inconvenientes.

O que a Bioética da Beira do leito se preocupa com mais veemência na atualidade e faz seus alertas é com o uso da biotecnologia que contraria tradições da Medicina que persistem imprescindíveis. Em termos modernos, elas incluem acolhimento, consentimento e conhecimento. Qualquer by-pass por esta tríade fora da Emergência é fator de distanciamento do médico ao paciente.

Já com respeito à tecnologia de comunicação, será que a moderna comunicação via aplicativos contraria tradições da Medicina que não podem ser eliminadas? Sim e não. Uma substituição do presencial obrigatório para que se possa afirmar que o paciente foi examinado direciona para o afirmativo da resposta. Uma visão de complementaridade da boa prática clínica remete para a negativa, em função da facilidade e da celeridade da intercomunicação. O que pega mesmo é a questão do sigilo profissional.

Eu particularmente sou favorável ao uso de aplicativos para a intercomunicação  do meu médico com o meu paciente, já vivenciei muitos infortúnios evitáveis e angústias desnecessárias pela falta de uma palavra oportuna emitida ou recebida. É conexão direta entre dois mutuamente autorizados ao diálogo entre si, assim enquadrando-se em pré-requisito ético. Entendo que a comunicação desta forma é até mais sigilosa do que a do telefone, que nunca despertou polêmica.

Os advogados do diabo que conheço, muito embora  reconheçam que o telefone possa permitir que um estranho àquela relação médico-paciente próximo ouça o que o médico está dizendo ao paciente, não permite  reproduções  sonoras e encaminhamentos e que as mensagens via aplicativos compartilhadas pelo paciente são da sua responsabilidade, insistem que fica sempre a possibilidade de a conexão meu médico com o meu paciente via aplicativo sofra uma interceptação por terceiros. É argumento que lembra exageros  da teoria da conspiração, algo como e se  e o telefone do médico estiver grampeado?

Se para a biotecnologia aceitamos que há níveis admissíveis  de relação risco-benefício e que o uso faz lapidações, porque não fazemos o mesmo para a intercomunicação meu médico com o meu paciente via aplicativo?

374- Reais Comitês de Bioética

Era uma vez um reino longínquo onde os habitantes tinham excelente saúde. Os sábios locais concluíram que a ótima qualidade de vida e o bem-estar vigentes há gerações eram produto de uma feliz inter-relação abrangendo: a) as pessoas por meio de predisposições biológicas favoráveis ligadas à carga genética e a hábitos de preservação; b) o meio ambiente resguardado quanto ao clima e as condições de habitabilidade; c) a destacada organização para promoção da saúde pública possibilitada pela suficiência de recursos humanos, materiais e financeiros.

Ficou bem identificado um alto nível de responsabilidade dos cidadãos com o equilíbrio desta reciprocidade por meio de cuidados com si próprio motivados pelas bençãos das propícias heranças genéticas, pelo respeito à natureza em si e pela contribuição para a infra-estrutura comunitária.

Desde o ensino fundamental, noções sobre cidadania enfatizavam o que denominavam de A essência da saúde, esclarecimentos sobre a referida tríade que criavam um producente sentimento coletivo de pertencimento. Após completar um número de horas teóricas e de prática com ênfase na vigilância do equilíbrio, cada um passou a receber um certificado de membro honorário do Real Comité de Bioética, instituição criada para assessorar o dever com as coisas da saúde no amplo espectro entre a molécula e o ambiente.

Dez cidadãos compunham o Real Comité de Bioética, eleitos pelo povo a cada cinco anos e sem direito à recondução, uma norma pétrea que visava maior abrangência do comprometimento da população. Esta disposição de permanente renovação foi uma conquista social idealizada pelos pioneiros que perceberam que seus ideais de constituição de um órgão voltado para promover a qualidade da convivência – pessoas, animais, natureza- precisavam ser capilarizados na comunidade.

Recentemente, o veemente discurso de um pioneiro da Bioética por ocasião da comemoração de 20 anos de criação do Real Comité da Bioética motivou uma expansão dos Comitês de Bioética. Ele destacou a necessidade da presença de Comitês espalhados pela nação que multiplicara a população e ocupava maior espaço territorial, a fim de melhor cumprir o papel de apoio, especialmente  em momentos de controversas tomadas de decisão de interesse do cotidiano.

Em consequência, entrou em vigor uma lei que determinava a constituição de um Real Comité de Bioética nas diversas regiões do país e a organização de uma Confederação nacional de Bioética pela representação de cada regional.

Em pouco tempo, o reino maximizou a excelência na inter-relação pessoas- meio ambiente-comunidade acompanhado por uma modernização dos conceitos. Uns hierarquizavam a ética da virtude e o profissionalismo, enquanto que outros destacavam princípios argumentando que comportamentos virtuosos dependiam do rigor no trato do livre-arbítrio, real utilidade e evitação do dano. Uma corrente preferia renomear os componentes da tríade fundamental para maior clareza sobre o foco na saúde. Desta maneira, pessoas eram chamadas de paciente ou voluntário de pesquisa, comunidade tornou-se instituição de saúde abrangendo específicos recursos humanos, materiais e financeiros e meio ambiente ganhou analogia com sistema de saúde.

Verificou-se que ao mesmo tempo que a taxa de conflitos no âmbito da tríade elevava-se, muito porque passaram a ser melhor conhecidos pela interação com os facilmente disponíveis Comitê de Bioética, elevou-se a eficácia da consultoria para incorporação de conhecimentos e de habilidades para não somente efetivar ações de evitação, como também de resolução de percentual expressivo de desarmonias no decorrer de processos de tomadas de decisão.

A Bioética firmou-se como catalisador eficiente de ajustes às diversidades de circunstâncias para a efetivação de consentimentos mais harmoniosos, ao mesmo tempo que cresceu a consciência que a função de catálise representava apoio a reações sem incorporações nas partes.

Atualmente, o reino vive uma incrível expansão do saber científico e da inovação biotecnológica. Novas formas de pensar e de se comportar  da sociedade aconteceram em feedback com este progresso. Os Reais Comités de Bioética em número crescente em face da expansão demográfica veem-se diante de inéditos aspectos da moralidade.

Desejos no campo da sexualidade até então insatisfeitos encontraram caminhos de realização pela conquista de novos métodos influenciadores da fecundação/reprodução/perpetuação da espécie. Uma bancada feminista trouxe destaques de pensamentos sobre a tríade fundamental – genética dos gêneros e hábitos tradicionais, organização comunitária e atenção ao meio ambiente-, como que visando a um compromisso de intenções que deveria ter guiado a seleção do casal humano que iria entrar na arca de Noé.

O nível de  inteligência da comunidade que sempre foi considerado alto ficou questionado pela observação de possibilidades de superação pelo desenvolvimento de inteligência artificial. O potencial de a criatura suplantar e dominar o criador não inibiu as pesquisas sobre ganhos de lucidez que muitos apreensivos desejavam  e replicou numa ideia de fortalecer a destreza dos humanos. Era preciso mexer na genética, o que provocava uma inquietação porque tocava num componente essencial da tríade sustentadora da qualidade da saúde coletiva. Aproveitando a oportunidade, pais se interessaram pela realização de pequenos ajustes genéticos em seus conceptos, criando condições para o desenvolvimentos de aparências e de habilidades que valorizavam. Radicais falavam em pacto com o diabo e lembravam Fausto de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) e as consequências, apelando para intervenções nacionalistas dos Reais Comitês de Bioética.

Muitos outros dilemas foram encaminhados aos Reais Comités de Bioética, não faltavam novos desafios, a pluralidade de apreciação crescia pela expansão populacional e pelos efeitos da tecnologia na condição humana. As gerações modificavam-se rapidamente em função de subentrantes modelos de civilização.

Numa inversão, netos ensinavam avós a usufruir dos bens da comunidade. O peso da Bioética sobre a convivência elevou-se exponencialmente. Um reconhecimento logo eclodiu: Que seja consignado um sincero agradecimento aos pioneiros que vislumbraram o valor da constituição de comités de Bioética como ferramenta para a mais adequada convivência entre carga genética e hábitos de preservação de pessoas, condições de habitabilidade e organização comunitária em seus amplos sentidos.

 

373- Do erro ao acerto

Erros acontecem na beira do leito. Há os relacionados à tecnociência e há os relacionados à atitude. Não deixa de haver uma interligação entre estas duas modalidades.

No momento atual do aprendizado em Medicina, um médico recém foi diplomado após seis anos de estudos e de práticas entendidas como pedagógicas tem o potencial de se envolver com uma série de erros por desconhecimentos e inabilidades. Ele está legalizado para  o exercício profissional por meio de um número de CRM, porém, vê-se limitado para assumir responsabilidades na atenção a necessidades de saúde da sociedade.

A Residência médica é a oportunidade para acumular a experiência que permite elevar a possibilidade de acertos diagnósticos, terapêuticos e preventivos. Este desenvolvimento de qualificação profissional exige a supervisão de alguém que assim aprendeu e lapida o seu aprendizado no cotidiano da beira do leito, inclusive quando ensina.

O jovem recém-formado pode aprender a fazer corretamente o que precisa saber fazer corretamente de duas maneiras, em geral. Na primeira, ele parte da escassez de um aprendizado e adquire o conhecimento pretendido sem escalas em momentos de erros. Na segunda, erros profissionais imediatos constituem estágios construtivos de acertos no longo prazo. Visão pessoal do residente a respeito dos seus limites de iniciativas e estrutura da supervisão influenciam o aprendizado com ou sem escalas em erros.

A interface entre residente de Medicina empreender por si e segundo uma orientação de supervisão é complexa. Zonas cinzentas habitam a distribuição de tarefas que admitem um aprendizado da graduação e que são inéditas. A bagagem da graduação pode ou não estar bem qualificada para ser diretamente empregada e o nunca praticado pode ou não ser diretamente aplicado a partir da obtenção de informações na literatura.

O residente de Medicina faz parte de um time, necessariamente, onde atuam mais experientes – supervisão direta ou indireta-, iguais- demais residentes de mesma categoria- e menos experientes – internos e residentes mais novos. Uma medida da boa organização é a grandeza da eliminação de intenções de atuações concebidas como corretas em função do noviciado que seriam erros se aplicadas. De certa maneira, assim demonstra o equilíbrio entre estimular o residente a ter iniciativas e o assessoramento pela supervisão. Ademais, a rapidez com que a supervisão detecta erros e providencia correções.

Qualquer disposição por melhor que seja entre aprendizado/supervisão, vale dizer a existência de critérios judiciosos sobre deixar mais livre ou mais contido o residente para executar por si decisões e execuções, não evita uma quantidade de erros pelo jovem médico.

A chamada curva de aprendizado embute o conceito que erros profissionais são inevitabilidades para o aprendizado do médico, que eles têm forte apelo pedagógico e, muitos preferem usar a figura no plural pelo entendimento que reduzir um tipo de erro pode elevar o potencial para outro tipo.

Pode soar estranho que de erro em erro, o jovem médico constrói acertos, por isso, é essencial enfatizar que esta realidade é uma fração minoritária do cotidiano entre o domínio dos acertos, todavia, o aprendizado assim decorrente do mundo real é imprescindível para o alcance da excelência do atendimento na beira do leito em face das complexidades da Medicina.

Se o paciente é a vítima maior de um erro profissional, o médico é uma vítima secundária pois é atingido por sentimentos de culpa, vergonha, humilhação e por auto-questionamentos de sua inata competência para exercer a profissão. Assim, a supervisão do residente que irá errar inevitavelmente, além do cuidado na evitação e na correção, precisa incutir no jovem que erros não devem ser jogados para debaixo do tapete, pois desconfortos resultantes são fontes de confortos futuros para si e para o paciente. Por isso, o valor da  crítica construtiva, reflexão motivadora e implacável perseguição pela correção em seus sentidos de correto e de modificação para melhora- e evitando aquele sentido de castigo.

 

 

370- Bioética e beira do leito

Beira do leito é termo de alto simbolismo na relação médico-paciente. Ela expressa uma significância profissional constantemente renovada ao longo da carreira do médico. A ocorrência de imprevistos em meio às habitualidades traz a conveniência do acolhimento da Bioética pela beira do leito como instrumento de qualificação da gestão ética.  É imprescindível mesmo, em face da crescente complexidade de uma Medicina combinante de conceitos e de métodos consagrados e inovadores exigente do cumprimento de velhas e de novas expectativas da sociedade como receptora e do profissionalismo da saúde aplicador, ajustado à contemporaneidade da tríade máster prudência-zelo-perícia.

A compreensão do significado de beira do leito contribui para delinear a intimidade justificada e os limites ao respeito entre o campo do paciente e o campo do médico e sua Medicina – e demais profissionais da saúde-, traçado virtual que será tanto mais condutor de atenção às necessidades de saúde quanto mais favoreça a intercomunicação acerca de  vontades, conhecimentos e habilidades.

Inexiste beira do leito ética sem a participação de saberes da Bioética, aliás razão maior para a sua formalização disciplinar pelos pioneiros que pretendiam reverter e evitar inadmissíveis tendências de subjugação do ser humano em nome da técnico-ciência. O olhar inicial voltado para a conexão pesquisador-voluntário da pesquisa logo se deu conta das desconexões assistenciais e, assim, a Bioética foi incorporada à relação médico-paciente.

A fluidez pelo espaço da beira do leito articula-se com a essência mentora da Bioética sensível a multiplicidades de combinação entre racionalidades de recomendações universais fundamentadas em evidências científicas e validadas ao uso assistencial e disposições individualizadas para ajustes a desejos, preferências, objetivos, valores do paciente e a circunstâncias do sistema de saúde.

A difusão do atendimento pela beira do leito tem um aspecto temporal que não pode prescindir também da essência conselheira da Bioética, pois as composições diagnósticas, terapêuticas e preventivas requerem um tempo ideal  que depende da repercussão e do prognóstico da situação clínica, classicamente classificado como emergência, urgência e eletividade. Antes do século XX esta divisão tinha pouco efeito prático pela carência de recursos beneficentes da Medicina efetivamente atuantes  sobre a história natural das enfermidades. Desde os meados do século XX, o acréscimo subentrante de métodos diagnósticos e terapêuticos proporcionou novos pensamentos sobre o tempo do atendimento.

Neste século XXI, a excelência da beira do leito é favorecida pela economia, enriquecimento e programação do tempo para diagnósticos, para a conclusão de procedimentos invasivos, para a captação de novos saberes, para a realização da interdisciplinaridade e para a documentação.

O dia-a-dia da beira do leito é pleno de obstáculos a premissas de bom atendimento e, especialmente os determinados por desinteresses e por receios frente à Medicina ligados à pluralidade da condição humana provocam indesejados alongamentos do tempo para consentimentos no entorno de tomadas de decisão.

Espaço e tempo assistenciais mentalizados como beira do leito irmanados a preceitos da Bioética ampliam a visibilidade para as necessárias ênfases harmoniosas com as circunstâncias determinadas pelas diversidades de apreciação sobre moralidade de comportamentos que se articulam com regras e com valores prescritos no exercício da Medicina.

Enquete 506- Serviço social civil obrigatório para médico

Projeto de Lei do Senado nº 168/12  pretende criar um serviço social obrigatório de dois anos para quem se formar em medicina por faculdades públicas, ou com financiamento público.O Conselho Federal de Medicina posiciona contrário argumentando que  “Só uma carreira de Estado, com a garantia de direitos e de condições de trabalho, fixaria o profissional de saúde em locais hoje desassistidos http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=26864:2017-04-20-12-48-39&catid=3.

Qual á a sua opinião sobre o Projeto de lei?

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Enquete 505- Bioética e democracia

Bioética inclui apreciações fundamentadas sobre assistência à saúde, pesquisa clínica e biotecnologia em convivência com o ser humano. Seus valores fundamentais incluem equidade, justiça, liberdade, participação pluralista, liberdade de expressão. Por isso, a Bioética encaixa-se adequadamente na concepção de democracia constitucional.

Assim, atuar na beira do leito vestindo a camisa da Bioética admite a legitimidade dos valores democráticos e contribui para o respeito aos preceitos constitucionais.

Você concorda?

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Enquete 504- Modificação genética do embrião humano

As novas tecnologias para modificação genética do embrião objetivam evitar certas doenças, reforçar algum tipo de habilidade  e provocar uma aparência socialmente desejável no filho.

Todavia, expansões de efeitos não podem ser descartadas, pelo contrário, já há preocupações sobre decorrências de acelerações da evolução natural e desenvolvimento de comportamentos anti-sociais e criminosos.

Na sua opinião as tecnologias para modificação genética de embriões provocarão um outro tipo de sociedade?

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